
NOVA YORK, 29 Jan (Reuters) - O dólar se desvalorizava de maneira generalizada nesta quinta-feira, mas permaneceu acima das mínimas recentes de vários anos, com os investidores ainda nervosos com a política dos EUA, mesmo com o Federal Reserve apresentando uma postura levemente "hawkish", o que proporcionava algum apoio.
O dólar tem estado sob pressão por várias razões, incluindo as expectativas de cortes contínuos nas taxas de juros pelo Fed, a incerteza em relação às tarifas e a volatilidade da política dos EUA.
A moeda encerrou a semana passada com sua maior queda desde abril do ano passado, impulsionada em parte por preocupações com a política dos EUA em relação à Groenlândia.
“As preocupações dos investidores com as políticas comerciais e geopolíticas que estão sendo implementadas nos EUA no momento têm sido potencialmente negativas para o dólar”, disse Shaun Osborne, estrategista-chefe de moedas do Scotiabank.
“A ação do preço que temos visto no dólar parece realmente bastante negativa”, disse Osborne.
O euro subia 0,1% em relação ao dólar, para US$1,19655, enquanto a moeda norte-americana caía 0,2% em relação ao iene, para 153,185 ienes.
O dólar encontrou algum apoio depois que o Federal Reserve manteve as taxas de juros estáveis na quarta-feira, em um cenário que o chair do banco central norte-americano, Jerome Powell, descreveu como uma economia sólida e riscos reduzidos tanto para a inflação quanto para o emprego.
Dados divulgados na quinta-feira mostraram que o número de norte-americanos que solicitaram novos benefícios de desemprego caiu ligeiramente na semana passada, ainda consistente com um nível relativamente baixo de demissões em massa, embora a contratação fraca esteja alimentando a ansiedade das famílias em relação ao mercado de trabalho.
O presidente Donald Trump disse na quinta-feira que os EUA deveriam ter taxas de juros substancialmente mais baixas agora e deveriam ter as mais baixas do mundo.
Alguns analistas, no entanto, não esperam cortes em breve.
“Embora as perspectivas permaneçam incertas, especialmente devido à nomeação de um novo chair do Fed nos próximos meses, nossa base continua sendo que o ciclo de corte de taxas de juros está completo, já que uma melhora no mercado de trabalho está por vir”, disse David Doyle, chefe de economia do Macquarie Group.
“Vemos o próximo movimento como um aumento, que poderá ocorrer no quarto trimestre de 2026.”
O dólar ficou sob pressão no início desta semana, depois que Trump disse na terça-feira que o valor do dólar era “ótimo”, quando questionado se ele achava que havia caído demais.
Embora o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tenha reafirmado a preferência dos EUA por uma moeda forte, aliviando um pouco a pressão, os investidores continuam nervosos com novas perdas para a moeda.
(Reportagem de Saqib Iqbal Ahmed; Reportagem adicional de Stefano Rebaudo)
((Tradução Redação Barcelona))
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