
Por Hannah Lang
NOVA YORK, 23 Jan (Reuters) - O iene se comportou de maneira volátil nesta sexta-feira, com dois picos repentinos que aumentaram a especulação do mercado de que as autoridades monetárias realizaram uma verificação da taxa, geralmente um precursor de intervenção.
O iene JPY= fechou o dia a 155,855 por dólar.
Investidores estão atentos à perspectiva de uma intervenção de Tóquio para conter a queda da moeda japonesa, depois que o iene se enfraqueceu para 159,20 por dólar, perto das mínimas de 18 meses, durante uma entrevista coletiva do presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, que ocorreu depois que o BOJ manteve o juro estável.
"Dada a falta de notícias, a única coisa que posso realmente ver é apenas esse sentimento de baixa subjacente [e] medo de intervenção", disse Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Capital Markets.
Logo após a entrevista de Ueda, o iene se fortaleceu repentinamente para 157,30 por dólar, embora o consenso do mercado tenha sido de que as autoridades não intervieram diretamente, mas fizeram verificações de taxas junto aos bancos.
Uma verificação de taxa - perguntando qual preço seria obtido se houvesse intervenção - é algo que as autoridades japonesas podem fazer para sinalizar sua disposição de entrar no mercado.
"Estamos no final da semana... e ninguém tem uma noção clara do que está acontecendo. Acho que é isso que está deixando o movimento um pouco mais ansioso", disse Erik Bregar, diretor de gestão de risco de câmbio e metais preciosos da Silver Gold Bull.
O iene tem estado sob pressão implacável desde que Sanae Takaichi assumiu o cargo de primeira-ministra do Japão em outubro, caindo mais de 4% devido a preocupações fiscais e pairando perto de níveis que estimularam temores de intervenção.
A derrocada do mercado de títulos nesta semana ressaltou o nervosismo dos investidores em relação à situação fiscal do Japão, já que Takaichi convocou uma eleição antecipada para fevereiro e prometeu cortes de impostos, fazendo com que os rendimentos dos títulos públicos japoneses atingissem níveis recordes. Desde então, os rendimentos se recuperaram um pouco, mas os investidores continuam cautelosos.
IMPULSO DE VENDA DO DÓLAR
Em outros lugares, o dólar teve a maior queda semanal desde junho, pressionado pelas tensões geopolíticas que seguem perturbando os investidores.
Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que havia garantido o acesso dos EUA à Groenlândia em um acordo com a OTAN, o que ocorreu quando ele recuou das ameaças tarifárias contra a Europa e descartou a possibilidade de tomar o território autônomo da Dinamarca pela força.
O dólar tem suportado o peso da angústia dos investidores nos mercados de câmbio, já que os ativos dos EUA foram atingidos no início da semana pela intensificação das tensões geopolíticas, o que reavivou a conversa sobre um movimento "Sell America", que surgiu após o anúncio das tarifas de importação anunciadas por Trump em abril passado.
O índice do dólar =USD recuou a 97,571. O indicador rumou para um declínio semanal de mais de 1%, o mais acentuado desde junho.
O euro EUR= subiu 0,5%, a US$1,181 e teve ganho semanal de mais de 1%. Nesta sexta-feira, o governo francês sobreviveu a dois votos de desconfiança, e mais votos são esperados depois que o primeiro-ministro Sebastien Lecornu disse que estava invocando a Constituição para forçar a parte das despesas do projeto de lei orçamentária de 2026 a ser aprovada pelo parlamento.
Enquanto isso, a libra esterlina GBP= estava cotada a US$1,362. Dados divulgados nesta sexta-feira mostraram que as vendas no varejo do Reino Unido subiram em dezembro, surpreendendo o mercado, mas isso teve pouco efeito sobre a libra.
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))
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