
Por Jaspreet Kalra e Nikunj Ohri
MUMBAI/NOVA DÉLHI, 19 Jan (Reuters) - O banco central da Índia propôs que os países do Brics vinculem suas moedas digitais oficiais para facilitar o comércio transfronteiriço e os pagamentos de turismo, disseram duas fontes, o que poderia reduzir a dependência do dólar à medida que as tensões geopolíticas aumentam.
O banco central indiano recomendou ao governo que uma proposta de conexão das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) seja incluída na agenda da cúpula do Brics de 2026, disseram as fontes. Elas pediram anonimato porque não estão autorizadas a falar publicamente.
A Índia sediará a cúpula. Se a recomendação for aceita, uma proposta para vincular as moedas digitais dos membros do Brics será apresentada pela primeira vez. O grupo inclui o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, entre outros.
A iniciativa pode irritar os Estados Unidos, que alertaram contra qualquer movimento para contornar o dólar.
O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia dito que a aliança do Brics é "antiamericana" e ameaçou impor tarifas sobre seus membros.
Os bancos centrais da Índia e do Brasil e o governo central indiano não responderam aos emails solicitando comentários. O Banco do Povo da China disse que não tinha informações para compartilhar sobre o assunto em resposta a um pedido de comentário da Reuters; os bancos centrais da África do Sul e da Rússia não quiseram comentar.
A proposta do banco central indiano de vincular as CBDCs do Brics para financiamento de comércio exterior e turismo não foi relatada anteriormente.
A proposta se baseia em uma declaração de 2025 em uma cúpula do Brics no Rio de Janeiro, que promoveu a interoperabilidade entre os sistemas de pagamento dos membros para tornar as transações internacionais mais eficientes.
Embora nenhum dos membros do Brics tenha lançado totalmente suas moedas digitais, todos os cinco principais membros estão executando projetos-piloto.
((Tradução Redação São Paulo))
REUTERS CMO