
Por Karen Brettell
NOVA YORK, 12 Jan (Reuters) - O dólar recuava nesta segunda-feira depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ameaçou indiciar o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, por comentários feitos ao Congresso sobre um projeto de reforma de um prédio, levantando preocupações sobre a independência do banco central dos EUA e as perspectivas de longo prazo para a moeda.
O índice do dólar =USD, que mede a moeda em relação a uma cesta de pares, caía 0,37%, para 98,87, com o euro EUR= em alta de 0,29%, a US$1,1671.
O franco suíço CHF= esteve entre os melhores desempenhos nesta segunda-feira, com o dólar em baixa de 0,54% em relação à moeda, para 0,797.
Powell disse no domingo que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça na semana passada referentes a comentários que ele fez ao Congresso no ano passado sobre os custos excedentes de um projeto de reforma de um prédio de US$2,5 bilhões no complexo da sede do Fed em Washington.
Ele classificou a ação como um "pretexto" para ganhar mais influência sobre a taxa de juros, que o presidente dos EUA, Donald Trump, quer reduzir drasticamente.
Trump não orientou autoridades do Departamento de Justiça a investigar Powell, afirmou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, nesta segunda-feira.
"Isso acabou com a recuperação do dólar no Ano Novo", disse Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Global Forex. "As intimações provavelmente superaram a geopolítica."
A expectativa é de que Trump indique um chefe do Fed mais "dovish" quando o mandato de Powell terminar em maio, embora Powell possa permanecer como diretor.
Este ano, o dólar tem encontrado sustentação na busca por segurança diante das crescentes preocupações geopolíticas, depois que os EUA levaram o líder venezuelano Nicolás Maduro sob custódia e quando Trump expressou seu desejo de que os EUA adquiram a Groenlândia.
Os acontecimentos no Irã também se tornaram um foco importante. O Irã disse nesta segunda-feira que está mantendo as comunicações abertas com os EUA enquanto Trump avalia as respostas a uma repressão a protestos que representaram um dos maiores desafios ao governo clerical desde a Revolução Islâmica de 1979.
((((Tradução Redação Brasília)) REUTERS VB))