20 Mar (Reuters) - O JP Morgan prevê que o Banco da Inglaterra aumentará as taxas de juros em 25 pontos-base em abril e novamente em julho, mudando sua postura anterior de não esperar alterações neste ano, após o banco central adotar uma postura mais rígida em relação aos maiores riscos de inflação decorrentes da guerra no Oriente Médio.
O Banco da Inglaterra manteve a taxa básica de juros estável em 3,75% na quinta-feira (link) e disse que a inflação poderia subir para cerca de 3,5%, acima de sua meta de 2%, nos próximos dois trimestres.
O banco central reconheceu os riscos de uma desaceleração econômica, que poderia enfraquecer as pressões inflacionárias, mas afirmou que o maior risco era o de uma inflação mais alta, acrescentando que "está pronto para agir conforme necessário".
Estrategistas do Goldman Sachs e o BNP Paribas também alertaram para um risco significativo de aumento das taxas de juros em curto prazo – potencialmente já na reunião de abril – caso os preços globais da energia continuem a subir.
"A duração e a magnitude do choque até agora não apenas abriram caminho para aumentos nas taxas de juros, mas também os tornaram materialmente mais prováveis do que pareciam antes", disse o BNP Paribas.
SOBRE CORTES DE TAXAS
O JP Morgan afirmou que espera uma desaceleração da inflação no próximo ano, mas somente a partir da primavera, e agora prevê dois cortes nas taxas de juros em 2027, que as trarão de volta aos níveis atuais, disse em nota na quinta-feira.
Goldman Sachs e Morgan Stanley adiaram suas previsões de dois cortes de juros este ano e agora esperam que o Banco da Inglaterra mantenha a taxa de juros inalterada por um período prolongado.
"Caso haja uma resolução muito rápida no Oriente Médio... veríamos alguma possibilidade de um corte no 4º trimestre de 2026", acrescentou o Morgan Stanley.