Por Karen Brettell
NOVA YORK, 11 Mar (Reuters) - Os rendimentos do Treasury de dois anos atingiram o maior nível em cinco meses nesta quarta-feira, conforme os preços mais altos do petróleo alimentavam temores de inflação e adiavam expectativas de cortes nos juros do Federal Reserve, enquanto investidores, em grande parte, deixavam de lado dados de inflação ao consumidor de fevereiro que ficaram em linha com expectativas de economistas.
O rendimento da nota de dois anos US2YT=RR, que normalmente acompanha as expectativas da taxa de juros do Fed, subia 6,3 pontos-base em 3,632%. Mais cedo, atingiu 3,648%, o maior nível desde 26 de setembro.
O retorno do Treasury de referência de dez anos US10YT=RR avançava 7 pontos-base, para 4,206%, e mais cedo chegou a 4,226%, o patamar mais alto desde 9 de fevereiro.
Enquanto isso, a curva de juros se inclinou em 1 ponto-base, com o spread entre os rendimentos de dois e dez anos US2US10=TWEB em 57 pontos-base.
Os preços ao consumidor dos EUA aceleraram no mês passado já que o custo da gasolina aumentou em antecipação à escalada da guerra no Oriente Médio. O índice de preços ao consumidor subiu 0,3% em fevereiro, depois de ter avançado 0,2% em janeiro. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice teve alta de 0,2%, ante 0,3% em janeiro.
"O que acontece com esse número, no entanto, é que ele está muito no espelho retrovisor, porque é um número de fevereiro e há coisas acontecendo no momento, o que coloca pressão de alta sobre os preços daqui para frente, claramente dada a guerra no Irã", disse Padhraic Garvey, chefe regional de pesquisa das Américas e chefe de taxas globais e estratégia de dívida do ING.
Nesta quarta-feira, a Agência Internacional de Energia concordou em liberar 400 milhões de barris de petróleo, o maior movimento desse tipo em sua história, para tentar controlar os preços do petróleo bruto, que subiram devido aos choques de oferta da guerra entre os EUA e Israel com o Irã.
Operadores adiaram expectativas do próximo corte da taxa de juros do Fed para setembro, devido à preocupação de que a guerra dure mais do que o esperado. Se ela continuar, é provável que os preços mais altos do petróleo também prejudiquem o crescimento econômico e pressionem os rendimentos.
Operadores de juros futuros estão agora precificando 32 pontos-base em cortes até o final do ano, abaixo dos 41 pontos-base de terça-feira, indicando dúvidas crescentes de que o Fed fará dois cortes de 25 pontos-base este ano.
((((Tradução Redação Brasília)) REUTERS VB))