
Por Tamiyuki Kihara e Kantaro Komiya
TÓQUIO, 24 Fev (Reuters) - O Japão informou nesta terça-feira que solicitou aos Estados Unidos que garantam que seu tratamento sob um novo regime tarifário seja tão favorável quanto no acordo existente, agindo com cautela para evitar turbulências antes da visita do primeiro-ministro aos EUA no próximo mês.
Embora as últimas medidas do presidente dos EUA, Donald Trump, possam aumentar o custo tarifário de alguns itens de exportação japoneses, o ministro do Comércio do Japão e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, disseram uma ligação na segunda-feira que os dois países implementarão o acordo comercial firmado no ano passado “de boa fé e sem demora”, informou o Ministério do Comércio japonês.
Trump, após a decisão da Suprema Corte dos EUA na sexta-feira de derrubar suas tarifas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), anunciou uma tarifa temporária de 15% sobre as importações de todos os países, o máximo permitido por uma lei separada.
Trump também alertou os países que, se eles recuassem de seus acordos comerciais com os EUA, ele adotará tarifas mais altas sob diferentes leis comerciais.
O ministro do Comércio japonês, Ryosei Akazawa, disse em uma entrevista nesta terça-feira que algumas exportações do país, atualmente sujeitas a tarifas reduzidas sob o acordo, podem enfrentar impostos mais altos, caso as novas tarifas sejam “acumuladas” sobre os impostos existentes.
Um funcionário do Ministério do Comércio disse que os itens que teoricamente poderiam enfrentar tarifas mais altas sob a nova política de Trump são aqueles que desfrutam de tarifas inferiores a 15% sob o status de nação mais favorecida.
O Japão solicitou um tratamento igualmente favorável ao acordo comercial firmado no ano passado, acrescentou Akazawa.
Em julho, os EUA e o Japão chegaram a um acordo para reduzir as tarifas sobre automóveis e outros produtos para 15%, enquanto o Japão concordou com um pacote de US$550 bilhões em empréstimos e investimentos destinados aos EUA.
Akazawa e outras autoridades evitaram comentar a decisão da Suprema Corte dos EUA, dizendo apenas que examinariam atentamente seus detalhes.
Yoshinobu Tsutsui, chefe do maior lobby empresarial do Japão, o Keidanren, disse a repórteres que a decisão do tribunal dos EUA “provou que os freios e contrapesos estão em vigor” e foi “positiva para a economia em geral”, mas acrescentou que as novas tarifas de Trump aumentaram os riscos para os investimentos corporativos, de acordo com o jornal Yomiuri.
(Reportagem de Tamiyuki Kihara, Yoshifumi Takemoto, Kantaro Komiya, Mariko Katsumura, Chang-Ran Kim; reportagem adicional de Makiko Yamazaki e Anton Bridge)
((Tradução Redação São Paulo))
REUTERS CMO