
Por Marie Mannes
ESTOCOLMO, 23 Fev (Reuters) - A Volvo Cars fará um recall de mais de 40.000 de seus SUVs elétricos EX30, seu modelo topo de linha, (link) porque suas baterias correm o risco de superaquecimento, disse a montadora à Reuters na segunda-feira, uma medida que pode prejudicar a reputação de segurança conquistada com muito esforço pela empresa e custar milhões de dólares.
O recall, até então não divulgado, envolve a substituição de módulos nos conjuntos de baterias de alta tensão do SUV compacto, um modelo crucial na estratégia da Volvo para competir com marcas chinesas mais baratas. A segurança das baterias é uma questão extremamente sensível para fabricantes e consumidores de veículos elétricos.
Um total de 40.323 veículos EX30 Single-Motor Extended Range e Twin-Motor Performance, equipados com essas células de alta voltagem, foram afetados, disse a montadora sueca Volvo, controlada majoritariamente pela chinesa Geely, GEELY.UL em resposta a perguntas da Reuters.
"Estamos agora contatando os proprietários de todos os carros afetados para informá-los dos próximos passos", disse a Volvo VOLCARb.ST.
As ações da Volvo Cars caíram 4% após a reportagem da Reuters sobre o recall.
Na corrida para desenvolver novos veículos elétricos, algumas montadoras enfrentaram defeitos nas baterias. Em 2020, um risco de incêndio obrigou a General Motors (link) GM.N a fazer um recall de 140.000 veículos Chevrolet Bolt com baterias fornecidas pela sul-coreana LG Electronics, custando US$ 2 bilhões (link) para consertar.
Os problemas com as baterias da Volvo surgem em meio a uma iniciativa da montadora para economizar 1,9 bilhão de dólares. (link) e integração mais profunda (link) com a empresa-mãe Geely. As baterias foram fabricadas por uma joint venture apoiada pela Geely, a Shandong Geely Sunwoda Power Battery Co. A Volvo afirmou que o fornecedor resolveu o problema e fornecerá as novas células de bateria.
'ELES PRECISAM ACERTAR'
A Volvo informou que substituirá as unidades afetadas gratuitamente, e instou os proprietários, nesse meio tempo, a continuar limitando o carregamento a 70% para eliminar o risco de incêndio.
"O EX30, em especial, é muito importante para a Volvo, por isso eles precisam acertar em cheio", disse Sam Fiorani, vice-presidente de previsão global de veículos da empresa de pesquisa AutoForecast Solutions.
Desde dezembro, a Volvo orientou os proprietários do EX30 em mais de uma dúzia de países, incluindo Estados Unidos, Austrália e Brasil, a estacionarem longe de prédios e a limitarem o carregamento a 70%, de acordo com documentos regulatórios e a própria empresa.
Andy Palmer, um veterano da indústria que supervisionou o lançamento do Nissan Leaf EV da Nissan Motor 7201.T em 2010, disse que a Volvo tem menos margem para erros do que os rivais, já que sua reputação em segurança é fundamental para sua identidade.
"A Volvo não pode se dar ao luxo de ter um problema de segurança, porque isso atinge o cerne da sua marca", disse ele.
PREÇO POTENCIALMENTE ALTO PARA RESOLVER O PROBLEMA DA BATERIA
Segundo uma análise da Reuters baseada nos preços que um fabricante chinês de baterias poderia cobrar, os novos módulos de bateria de substituição podem custar US$ 195 milhões, sem incluir custos de logística e reparo. A Volvo afirmou que os cálculos são "especulativos" e que a montadora está em negociações com o fornecedor.
Antes do anúncio do recall, a Reuters conversou com dois proprietários de EX30 que queriam devolver seus carros, ressaltando o impacto potencial.
O agente de seguros britânico Matthew Owen disse que escolheu o EX30 pela sua autonomia e pela reputação da Volvo em termos de segurança, acrescentando que a montadora deveria assumir a responsabilidade porque está "produzindo um carro perigoso".
Tony Lu, proprietário de um EX30 na Nova Zelândia, disse que enfrentou custos mais altos porque o limite de carregamento reduziu a autonomia do carro.
"Ficaria absolutamente encantado se eles recomprassem o carro", disse Lu.