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Hassett, assessor de Trump, sugere que pesquisadores do Fed de Nova York sejam punidos por discussão sobre tarifas

Reuters18 de fev de 2026 às 18:31

Por Michael S. Derby

- Kevin Hassett, um dos principais assessores econômicos do presidente Donald Trump, disse nesta quarta-feira que os autores de um artigo de pesquisa do Federal Reserve de Nova York, que argumentava que os custos das tarifas são suportados principalmente pelos norte-americanos, deveriam ser punidos pelo que ele descreveu como pesquisa de baixa qualidade.

“O artigo é uma vergonha”, disse Hassett em entrevista à CNBC. “É, na minha opinião, o pior artigo que já vi na história do Sistema do Federal Reserve” e “as pessoas associadas a este artigo provavelmente deveriam ser punidas” por tê-lo escrito, afirmou.

O artigo argumentava que os grandes aumentos dos impostos sobre importações de Trump são arcados por quem está nos EUA, e não pelos estrangeiros, como o governo vem argumentando há muito tempo. As conclusões do artigo do Fed de Nova York foram repetidas em outros lugares.

Hassett, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, disse que os pesquisadores do Fed de Nova York “publicaram uma conclusão que gerou muitas notícias altamente partidárias com base em uma análise que não seria aceita em uma aula de economia do primeiro semestre”.

O Fed de Nova York se recusou a comentar as declarações de Hassett.

A pesquisa do banco central foi publicada na sexta-feira e argumentou que 90% dos impostos que o presidente impôs sobre as importações foram, na verdade, arcados por aqueles que estavam nos EUA no último ano. Em meio às mudanças na agenda comercial do presidente, os autores do artigo escreveram que, entre janeiro e agosto do ano passado, os norte-americanos arcaram com 94% do impacto das tarifas de Trump, caindo para 92% entre setembro e outubro e estabilizando em 86% em novembro.

O artigo observou que a taxa média de tarifas subiu de 2,6% para 13% no ano passado. As conclusões da pesquisa do Fed de Nova York não foram particularmente controversas: o Escritório de Orçamento do Congresso também disse em um novo relatório que a maior parte do aumento dos impostos sobre importações de Trump seria suportada pelos EUA, por meio de uma combinação de margens de lucro menores para as empresas e preços mais altos para os consumidores.

Autoridades do Fed atribuíram grande parte da rigidez observada na inflação desde que Trump voltou ao cargo, há pouco mais de um ano, às tarifas. Essas pressões persistentes sobre os preços têm servido como um fator limitante à capacidade do Fed de reduzir o custo dos empréstimos de curto prazo nos EUA.

PROBLEMAS COM AS TARIFAS

O argumento do governo Trump a favor das tarifas é que os impostos ajudam a fortalecer as finanças do governo e criam incentivos para que a indústria retorne aos EUA. As tarifas também têm sido usadas como uma ferramenta para forçar o cumprimento de várias exigências do governo norte-americano.

A capacidade de Trump de estabelecer tarifas com base em poderes de emergência está agora sendo avaliada pela Suprema Corte e pode ser revogada.

Hassett estava recentemente na lista de possíveis sucessores do atual chair do Fed, Jerome Powell, mas Trump acabou escolhendo o ex-diretor do Fed Kevin Warsh para o cargo.

Hassett argumentou na entrevista que os autores por trás da pesquisa do banco central — três eram do Fed de Nova York e um era da Universidade de Columbia — entenderam fundamentalmente de forma errada como as tarifas afetam a economia. Ele disse que a política foi bem-sucedida em trazer de volta a atividade econômica para os EUA.

“Os preços caíram. A inflação diminuiu ao longo do tempo. Os preços das importações caíram muito no primeiro semestre do ano”, disse Hassett. “Os consumidores ficaram em melhor situação com as tarifas”, afirmou.

A afirmação de Hassett de que os consumidores estão em melhor situação com os impostos de importação mais altos de Trump contraria o relatório mais recente da Universidade de Michigan sobre o sentimento do consumidor, que observou que “as preocupações com a erosão das finanças pessoais devido aos preços altos e ao risco elevado de perda de emprego continuam generalizadas”.

O banco central tem sido alvo de ataques contínuos do governo Trump por uma série de questões.

Alguns dos pontos críticos têm girado em torno das atividades de pesquisa dos 12 bancos regionais quase privados do Fed, que nos últimos anos têm analisado a economia de forma abrangente e, na opinião de alguns críticos, se desviaram muito da missão principal do Fed.

Autoridades do Fed rebateram que estão tentando compreender a economia em toda a sua extensão e que isso é essencial para atingir as metas de política monetária estabelecidas pelo Congresso.

((Tradução Redação São Paulo))

REUTERS AC

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