
Por Jesus Calero
13 Fev (Reuters) - A produtora de alumínio Norsk Hydro NHY.OL destacou a persistente fraqueza nos mercados a jusante ao divulgar lucro operacional do quarto trimestre que superou as previsões do mercado, o que fez com que suas ações caíssem 6% na sexta-feira.
A Hydro enfrenta uma perspectiva em constante mudança, à medida que a UE se prepara para impor custos de carbono sobre as importações de alumínio (link), uma medida que pode favorecer o seu metal de baixa emissão, mesmo com o aumento da oferta global e a queda dos custos de produção apontando para mercados mais equilibrados.
O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização foi de 5,59 bilhões de coroas norueguesas (US$ 585,23 milhões) no período de outubro a dezembro, uma queda em relação aos 7,7 bilhões do ano anterior.
Analistas previam, em média, que a empresa registraria um lucro operacional de 5,2 bilhões de coroas, de acordo com um consenso compilado pela própria empresa.
TENDÊNCIAS DE JUSANTE MAIS FRACAS
Analistas do JPMorgan e do RBC afirmaram que o melhor desempenho no segmento a montante e a maior geração de caixa foram parcialmente compensados por tendências mais fracas nos mercados a jusante, conforme indicado nas projeções da empresa para o primeiro trimestre, o que sugere um escopo limitado para revisões amplas das projeções de lucros no curto prazo.
A alta dos preços dos metais e a produção estável a montante impulsionaram os resultados nas divisões de alumínio metálico e bauxita e alumina, constituindo o principal suporte, apesar da valorização da coroa norueguesa.
Mais adiante na cadeia de valor, o desempenho piorou. O negócio de extrusão registrou prejuízo devido à queda nas margens e nos volumes, enquanto os mercados de metais também apresentaram desempenho negativo em meio à baixa atividade comercial e aos efeitos dos estoques.
Os preços da alumina no trimestre foram cerca de 55% menores do que no ano anterior, uma vez que o aumento da oferta da China aproximou os preços dos custos de produção.
A Hydro já contratou cerca de 42% do seu volume de alumínio primário do primeiro trimestre com prêmios de aproximadamente US$ 478 por tonelada, e a média trimestral geral deverá ficar entre US$ 380 e US$ 430, disse o presidente-executivo Eivind Kallevik à Reuters.
Kallevik afirmou que os prêmios cobrados no Meio-Oeste dos EUA — um componente chave na precificação do alumínio — cairiam se as tarifas de importação fossem reduzidas.
A empresa também vendeu seus primeiros volumes de alumínio de baixo carbono nos EUA com preços comparáveis aos da Europa, um sinal de que os clientes ainda estão dispostos a pagar mais por um metal mais limpo.
As carteiras de encomendas de extrusão são normalmente de curto prazo e é "cedo demais para tirar conclusões" sobre uma recuperação no segundo semestre, visto que a demanda depende do crescimento econômico em geral. Kallevik disse isso em uma teleconferência com analistas.
(US$ 1 = 9,5518 coroas norueguesas)