
Por Howard Schneider e Michael S. Derby
WASHINGTON, 6 Fev (Reuters) - O vice-chair do Federal Reserve, Philip Jefferson, disse nesta sexta-feira que estava “cautelosamente otimista” em relação às perspectivas econômicas para 2026, com o crescimento previsto para permanecer ligeiramente acima da tendência, o mercado de trabalho se estabilizando e a inflação retomando uma queda para a meta de 2% do banco central dos Estados Unidos.
A política monetária atual do Fed está “bem posicionada” para responder independentemente da evolução da economia, disse Jefferson em comentários preparados para um evento da Brookings Institution, linguagem consistente com a pausa prevista pelo Fed em novos cortes nos juros, enquanto autoridades aguardam mais dados sobre o emprego e a inflação.
“A postura da política monetária atual está bem posicionada para lidar com os riscos para ambos os lados de nosso duplo mandato”, disse Jefferson. “Acredito que a extensão e o momento de ajustes adicionais em nossa taxa de juros devem se basear nos dados recebidos, nas perspectivas em evolução e no equilíbrio dos riscos.”
"O progresso na desinflação estagnou no último ano", disse Jefferson.
Mas ele acrescentou que considera o mercado de trabalho praticamente "em equilíbrio", com a taxa de desemprego ainda baixa, em 4,4%, e o lento crescimento do emprego alinhado com a atual expansão moderada da força de trabalho devido ao endurecimento das políticas de imigração.
“Vejo o mercado de trabalho geral como estando praticamente em equilíbrio, com um ambiente de baixa contratação e baixa demissão prevalecendo. Neste mercado de trabalho menos dinâmico, os riscos de baixa para o emprego permanecem, mas minha previsão é que a taxa de desemprego se mantenha aproximadamente estável ao longo deste ano”, disse Jefferson, outro argumento para adiar novos cortes nos juros.
Jefferson disse que é muito cedo para declarar se a recente alta produtividade irá persistir, acrescentando que, no curto prazo, algumas das forças que podem aumentar a produtividade —— como um maior investimento de capital em inteligência artificial (IA) —— podem potencialmente alimentar a inflação, à medida que o dinheiro é injetado na construção de data centers.
“Um aumento mais imediato na demanda associado às atividades relacionadas à IA poderia elevar a inflação temporariamente, na ausência de ações de política monetária compensatórias”, disse Jefferson, contrariando os argumentos de alguns formuladores de política monetária, incluindo o indicado para chair do Fed, Kevin Warsh, de que o investimento em IA prenuncia um salto de produtividade que reduzirá a inflação e permitirá ao banco central cortar os juros.
((((Tradução Redação Brasília)) REUTERS VB))