
WASHINGTON, 2 Fev (Reuters) - A atividade manufatureira dos Estados Unidos cresceu em janeiro pela primeira vez em um ano com uma forte recuperação das novas encomendas, mas o setor ainda não está fora de perigo uma vez que as tarifas de importação aumentaram os preços das matérias-primas e pressionaram as cadeias de abastecimento.
O Instituto de Gestão de Fornecimento informou nesta segunda-feira que seu PMI de manufatura subiu para 52,6 no mês passado. Foi a primeira vez em 12 meses que o PMI ficou acima de 50 e a maior leitura desde agosto de 2022, indicando crescimento na manufatura, que representa 10,1% da economia.
O PMI havia ficado em 47,9 em dezembro, marcando 10 meses consecutivos em território de contração. Economistas consultados pela Reuters previam que o PMI subiria para 48,5.
A melhora do mês passado pode estar relacionada à legislação tributária, que tornou permanente a depreciação de bônus entre outras questões, entrando em vigor.
A manufatura dos EUA ainda não passou pelo renascimento que o presidente Donald Trump imaginou com suas tarifas. O emprego na indústria caiu 68.000 postos de trabalho em 2025.
O subíndice de novos pedidos da pesquisa do ISM saltou para 57,1 no mês passado, o nível mais alto desde fevereiro de 2022, ante 47,4 em dezembro. Os pedidos em atraso também aumentaram e as exportações se recuperaram um pouco. O aumento nos novos pedidos, no entanto, significou algum estresse nas cadeias de oferta e custos mais altos de insumos.
A medida de preços pagos na pesquisa aumentou de 58,5 em dezembro para 59,0, em linha com as previsões. Isso sugere que os preços dos produtos ainda têm espaço para subir e contribuir para manter a inflação acima da meta de 2% do Federal Reserve por algum tempo.
Na semana passada, o banco central dos EUA manteve sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. O chair do Fed, Jerome Powell, atribuiu o excesso de inflação às tarifas, acrescentando que “há uma expectativa de que, em algum momento no meio do ano, veremos a inflação das tarifas atingir seu pico”.
O emprego nas fábricas contraiu ainda mais, embora o ritmo de declínio tenha diminuído. O ISM observou que as empresas estavam demitindo trabalhadores e não preenchendo vagas em aberto “devido à demanda incerta no curto e médio prazo”. A medida da pesquisa sobre o emprego na manufatura subiu de 44,8 em dezembro para 48,1 em janeiro.
(Reportagem de Lucia Mutikani)
((Tradução Redação São Paulo))
REUTERS CMO