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EXCLUSIVO-Acordo UE-Mercosul deverá entrar em vigor provisoriamente a partir de março, afirma diplomata da UE

Reuters22 de jan de 2026 às 16:27
  • Os parlamentares da UE encaminham o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia, atrasando-o em dois anos.
  • A França se opõe ao acordo, alegando impacto sobre os agricultores nacionais.
  • A Alemanha apoia o acordo para compensar as tarifas norte-americanas e reduzir a dependência da China.

Por Andreas Rinke

- O acordo de livre comércio da UE com os países sul-americanos provavelmente será aplicado em caráter provisório já em março, disse um diplomata da UE à Reuters na quinta-feira, apesar de um iminente questionamento no tribunal superior do bloco.

Os parlamentares da UE (link) desferiram um golpe no controverso acordo comercial do bloco com o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai na quarta-feira, encaminhando-o ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasá-lo em dois anos.

"O acordo UE-Mercosul será aplicado provisoriamente assim que o primeiro país do Mercosul o ratificar", disse um diplomata da UE à Reuters.

"Provavelmente será o Paraguai em março", acrescentou o diplomata.

EMPRESAS ALEMÃS E O CHANCELER MERZ CONDENAM O ATRASO

A UE assinou (link) seu maior pacto comercial com os membros do Mercosul no sábado, após 25 anos de negociações, e o atraso decepcionou (link) o governo da Alemanha e muitas empresas.

Os defensores argumentam que o acordo é importante para compensar os negócios perdidos devido às tarifas dos EUA (link) e para reduzir a dependência da China. Eles temem que um atraso prejudique a economia europeia.

"O revés prejudica a competitividade da Europa e põe em risco os empregos e a prosperidade europeus", disse Tobias Meyer, presidente-executivo do grupo de logística DHL, à Reuters. Ele afirmou que seria bom se o pacto pudesse ser implementado enquanto o tribunal investigava o caso.

"A Europa não pode se dar ao luxo de ficar ainda mais para trás", acrescentou.

O chanceler Friedrich Merz disse aos delegados no Fórum Econômico Mundial, na estância alpina suíça de Davos, na quinta-feira, que lamentava a decisão do Parlamento Europeu.

"Mas fiquem tranquilos: não seremos impedidos. O acordo com o Mercosul é justo e equilibrado. Não há alternativa a ele se quisermos um crescimento maior na Europa", disse Merz.

Os críticos do acordo, liderados pela França, afirmam que ele aumentará as importações de carne bovina, açúcar e aves baratas, prejudicando os agricultores nacionais.

Os agricultores franceses realizaram grandes manifestações em Paris contra o acordo comercial, com centenas de tratores bloqueando ruas e pontos turísticos como a Torre Eiffel.

A FRANÇA AFIRMA QUE A IMPLEMENTAÇÃO PROVISÓRIA SERIA ANTIDEMOCRÁTICA

O presidente da CGB, associação francesa de produtores de beterraba sacarina, rejeitou qualquer possibilidade de o acordo entrar em vigor provisoriamente.

"Isso seria uma negação da democracia. Inaceitável!", disse Franck Sander à Reuters.

Um porta-voz do ministro da Agricultura da França se recusou a comentar.

Aplicar o pacto provisoriamente, enquanto se aguarda a decisão judicial e a aprovação parlamentar, poderá revelar-se politicamente difícil, dada a provável reação negativa, e o Parlamento Europeu manteria o poder de o anular posteriormente.

"Se (a presidente da Comissão Europeia) Ursula von der Leyen, da União Europeia, impusesse uma aplicação provisória, tendo em conta a votação que ocorreu em Estrasburgo, isso constituiria uma forma de violação democrática", declarou a porta-voz do governo francês, Maud Bregeon, à CNews TV, falando antes dos comentários do diplomata da UE.

A Comissão Europeia afirmou que irá dialogar com os governos e parlamentares da UE antes de decidir os próximos passos.

Os líderes da UE se reúnem ainda nesta quinta-feira em Bruxelas para discutir as tensas relações transatlânticas em função das exigências do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a Groenlândia (link) .

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