
CINGAPURA/LONDRES, 20 Jan (Reuters) - Os rendimentos dos Treasuries subiam nesta terça-feira e a curva de rendimento se acentuou, conforme os investidores avaliavam as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reacender uma guerra comercial com a Europa e a turbulência no mercado de títulos do governo japonês.
O rendimento do título de 30 anos dos EUA avançava 9 pontos-base, para 4,93%, seu maior valor desde setembro, e caminha para a maior alta diária desde julho. US30YT=RR
Os rendimentos do Treasury de referência de 10 anos subiam 6 pontos-base, para 4,29%, também máxima desde setembro, enquanto os rendimentos de 2 anos caíam 1 ponto-base, para 3,58%. US10YT=RR, US2YT=RR
Os mercados dos EUA ficaram fechados na segunda-feira devido a um feriado, de modo que esta terça-feira marca a primeira oportunidade de reagir aos acontecimentos do fim de semana, quando Trump ameaçou impor uma tarifa de importação adicional de 10% a partir de 1º de fevereiro sobre produtos de vários países europeus até que os EUA possam comprar a Groenlândia.
Desde então, os principais países da União Europeia classificaram as ameaças de tarifas como chantagem e o bloco está pensando em retaliar com suas próprias medidas.
A mais recente escalada das tensões comerciais provocou uma ampla venda do dólar =USD, dos Treasuries e dos futuros de Wall Street, em um movimento que lembra a crise de confiança do ano passado nos ativos dos EUA após o anúncio do "Dia da Libertação" de Trump.
Mas analistas disseram que esse não é a única questão, já que os títulos do governo japonês também registraram vendas significativas nesta terça, com repercussões nos mercados dos EUA e da Europa, depois que a convocação de uma eleição antecipada pela primeira-ministra Sanae Takaichi abalou a confiança na saúde fiscal do país.
Kenneth Broux, chefe de pesquisa corporativa de câmbio e taxas do Société Générale, disse que foi "uma tempestade perfeita" de fatores que impulsionavam os movimentos dos Treasuries.
(Reportagem de Tom Westbrook e Rae Wee em Cingapura e Alun John em Londres)
((Tradução Redação São Paulo))
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