
Por Nikunj Ohri e Sarita Chaganti Singh
NOVA DELI, 16 Jan (Reuters) - A Índia planeja facilitar muito o investimento de empresas estrangeiras em companhias de defesa, disseram duas fontes governamentais com conhecimento do assunto – uma medida que estaria alinhada aos esforços para impulsionar a produção nacional após o conflito do ano passado com o Paquistão.
O limite para investimento estrangeiro direto em empresas de defesa com licenças já existentes, ao abrigo da chamada via automática, em que não é necessária a aprovação do governo, deverá subir de 49% para 74%, disseram as fontes.
Atualmente, investidores estrangeiros só podem deter 74% de uma empresa de defesa indiana pelo processo automático, quando as empresas solicitam novas licenças.
O governo também está em discussões sobre a possibilidade de eliminar uma condição que estipula que o investimento estrangeiro acima de 74% só é permitido se "resultar em acesso à tecnologia moderna" - uma redação que tem sido criticada por especialistas como vaga e ambígua.
A medida permitiria que empresas estrangeiras adquirissem participações majoritárias.
O relaxamento planejado dessas regras, que não havia sido divulgado anteriormente, visa incentivar empresas de países parceiros na área de defesa a assumirem participações majoritárias em empreendimentos indianos, disseram as fontes, que não estavam autorizadas a falar com a imprensa e pediram para não serem identificadas.
Eles acrescentaram que as reformas poderiam ser implementadas nos próximos dois meses.
Os ministérios do Comércio e da Defesa da Índia não responderam aos pedidos de comentários da Reuters.
Outra condição que deverá ser eliminada é a exigência de que os fabricantes de defesa totalmente voltados para a exportação estabeleçam instalações nacionais de manutenção e suporte, disseram as fontes.
"Essa condição obrigou as empresas a primeiro estabelecerem uma base para atividades de manutenção, que agora podem ser terceirizadas pelas unidades voltadas para a exportação, facilitando a atração de investimentos estrangeiros", disse Amit Cowshish, ex-funcionário do Ministério da Defesa.
INVESTIMENTO MODERADO ATÉ O MOMENTO
Empresas estrangeiras do setor de defesa que atualmente operam na Índia por meio de joint ventures ou parcerias estratégicas incluem a Airbus (AIR.PA), da França, a Lockheed Martin (LMT.N), dos EUA, e a Rafael Advanced Defense Systems, de Israel. A Índia também possui extensos laços na área de defesa. (link) com a Rússia.
Dito isso, os fluxos de capital estrangeiro para o setor de defesa da Índia têm sido moderados, representando US$ 26,5 milhões do total de US$ 765 bilhões em entradas estrangeiras nos 25 anos até setembro de 2025, de acordo com dados do governo.
A Índia buscou reforçar o financiamento para o setor de defesa após um conflito curto, porém mortal. (link) Com o arqui-rival Paquistão, em maio passado, em um confronto que teve drones e caças como protagonistas.
O Ministério da Defesa está solicitando um aumento de 20% nos gastos no orçamento para o ano fiscal de 2026/27, em relação aos US$ 75,36 bilhões alocados para o ano corrente. No ano passado, o governo também afirmou que pretendia quase dobrar a produção nacional de equipamentos de defesa para US$ 33,25 bilhões e aumentar as exportações de defesa para US$ 5,5 bilhões até 2029.
As exportações de defesa cresceram 12% em relação ao ano anterior em 2024/25, atingindo US$ 2,6 bilhões – um recorde histórico, enquanto a Índia busca se desvencilhar de seu status de longa data como um dos maiores importadores de armas do mundo.
(US$ 1 = 90,2375 rúpias indianas)