
Por Steve Holland e Jarrett Renshaw
WASHINGTON, 14 Jan (Reuters) - O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que acredita que seria melhor para a Venezuela permanecer na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mas acrescentou que não tinha certeza se isso seria uma situação melhor para os Estados Unidos.
"Bem, acho que é melhor para eles se o fizerem", disse Trump em uma entrevista à Reuters quando perguntado se o governo apoia a permanência da Venezuela no cartel do petróleo.
"Não sei se é melhor para nós (...) mas eles são membros da Opep e não discutimos isso com eles de forma alguma", acrescentou Trump.
A Venezuela, membro fundador do cartel de petróleo, está no topo de algumas das maiores reservas de petróleo bruto do mundo, mas viu sua produção cair nos últimos anos em meio à turbulência econômica e às sanções. Trump tem procurado afirmar o controle sobre o fornecimento de petróleo da Venezuela depois que os EUA depuseram o presidente Nicolás Maduro em uma operação no início deste mês.
O governo de Trump disse que precisaria controlar os recursos petrolíferos da Venezuela indefinidamente, pois busca reconstruir o setor do país e exercer pressão sobre o governo de Caracas.
Pressionado sobre se a Venezuela, sob uma política petrolífera influenciada pelos EUA, deveria obedecer aos limites de produção da Opep, Trump disse que a questão era prematura e fora de sua alçada.
"Não preciso me preocupar com isso no momento, porque não tenho nada a ver com a Opep", disse ele.
O controle do setor petrolífero venezuelano pelos EUA e os futuros investimentos para aumentar a capacidade poderiam colocar Caracas em desacordo com outros membros da Opep.
A Opep é um grupo de países produtores de petróleo que trabalha em conjunto na política de fornecimento para estabilizar os mercados de petróleo, cortando a produção quando os preços caem e aumentando quando a demanda se justifica.
Embora os membros tomem decisões coletivamente, a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, é amplamente considerada como o líder de facto do grupo de produtores, devido a sua capacidade de produção dominante e à capacidade de aumentar ou reduzir a oferta.
Em entrevistas recentes, assessores da Casa Branca e conselheiros externos disseram à Reuters que o assunto da permanência da Venezuela na Opep não foi tema de conversa. Eles observaram que o assunto poderia surgir como um ponto crítico se Trump buscasse aumentar a produção de petróleo enquanto a Opep procura implementar cortes para sustentar os preços, potencialmente colocando os objetivos dos EUA em desacordo com a estratégia do cartel.
Alguns membros da Opep que pretendem expandir a produção de petróleo muitas vezes se veem limitados pelo sistema de cotas do cartel, que estabelece limites de produção para estabilizar os preços globais. No passado, países como Iraque, Nigéria e Angola expressaram frustração com o fato de as cotas os impedirem de explorar totalmente suas reservas ou de atender às necessidades fiscais internas.
(Reportagem de Jarrett Renshaw)
((Tradução Redação São Paulo))
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