
Por Siddarth S e Akriti Shah
12 Jan (Reuters) - O J.P. Morgan prevê que o próximo passo do Federal Reserve será um aumento da taxa de juros dos Estados Unidos em 2027, enquanto o Barclays e o Goldman Sachs se juntaram ao Morgan Stanley e adiaram as previsões de corte de juros para meados de 2026 uma vez que dados sugerem que o mercado de trabalho não está se deteriorando rapidamente.
O J.P. Morgan retirou sua perspectiva de redução em janeiro, prevendo que o próximo passo do Fed será um aumento de 25 pontos-base na taxa de juros no terceiro trimestre de 2027. O Macquarie reiterou sua previsão de uma alta no quarto trimestre de 2026.
Dados de sexta-feira mostraram que o crescimento do emprego nos EUA desacelerou mais do que o esperado em dezembro. Entretanto, uma queda na taxa de desemprego para 4,4% e um sólido crescimento salarial sugeriram que o mercado de trabalho não está se deteriorando rapidamente, aumentando as expectativas de que o banco central deixará o custo de empréstimo inalterado em sua reunião de janeiro.
"Se o mercado de trabalho se enfraquecer novamente nos próximos meses, ou se a inflação cair de forma significativa, o Fed ainda poderá reduzir os juros neste ano", disse o J.P. Morgan em uma nota datada de sexta-feira.
"No entanto, esperamos que o mercado de trabalho se aperte até o segundo trimestre e que o processo de desinflação seja bastante gradual."
Operadores estão apostando em 95% de chance de o Fed deixar os juros inalterados em sua reunião de janeiro, de acordo com a ferramenta CME FedWatch, acima dos 86% antes dos dados.
O Goldman Sachs e o Barclays, que haviam previsto cortes em março e junho, agora esperam uma redução de 25 pontos-base em setembro e dezembro, respectivamente, após o corte em junho.
"Se o mercado de trabalho se estabilizar como esperamos, o Fomc provavelmente passará do modo de gerenciamento de risco para o modo de normalização", disse o Goldman em uma nota datada de domingo, ao reduzir sua probabilidade de recessão nos EUA para os próximos 12 meses de 30% para 20%.
O Morgan Stanley também revisou sua previsão na sexta-feira para cortes na taxa de juros em junho e setembro, em vez de janeiro e abril.
O Wells Fargo e o BofA Global Research mantiveram suas apostas em cortes para março/junho e junho/julho, respectivamente.
"A combinação de dados é consistente com nossa visão de que o crescimento equilibrado do emprego pode estar caindo (choque na oferta de mão de obra) ainda mais rápido do que o Fed admite", acrescentou o BofA.
Enquanto isso, a disputa entre o presidente Donald Trump e o chair do Fed, Jerome Powell, se intensificou, depois que Powell disse no domingo que o governo Trump o havia ameaçado com uma acusação criminal, aumentando as preocupações sobre a independência do banco central.
Powell chamou essa ação de um " pretexto" para ganhar mais influência sobre a taxa de juros, que Trump quer reduzir drasticamente.
(Reportagem de Siddarth S e Akriti Shah em Bengaluru)
((Tradução Redação São Paulo))
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