O governo da Ucrânia pretende regulamentar as doações em criptomoedas para financiamento político a fim de evitar interferência russa, indicaram autoridades em Kiev.
A nação devastada pela guerra, que se defende da contínua invasão militar de Moscou, levará em consideração a experiência dos países vizinhos que foram alvo da Rússia.
As autoridades ucranianas planejam tomar medidas para impedir o uso de criptomoedas como forma de exercer influência estrangeira sobre os acontecimentos políticos internos.
Diversos mecanismos foram incorporados à futura estrutura legal para a crescente criptoeconomia do país, que ainda precisa ser adotada.
Elas foram apresentadas em detalhes durante uma discussão dedicada à “regulamentação do uso de ativos virtuais no financiamento político”
Vita Forsyuk, assessora jurídica da Comissão Nacional de Valores Mobiliários e Mercado de Ações da Ucrânia (NSSMC), apresentou os detalhes no evento público.
A chamada "regra de viagem", que ajuda adentos participantes em transações com criptomoedas, é um dos elementos-chave na estratégia de Kiev.
Sua implementação garante que os dados de uso "acompanhem" as transações financeiras entre instituições, prevenindo a lavagem de dinheiro e outras atividades ilegais.
O governo ucraniano também obrigará os prestadores de serviços atuantes no setor a reportar essas informações diretamente à Receita Federal.
Este tipo de requisitos está atualmente sendo introduzido em toda a União Europeia ao abrigo da diretiva DAC8, que é aplicada em cada Estado-membro.
Normas internacionais semelhantes, como o Crypto-Asset Reporting Framework (CARF) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), também serão aplicadas.
Forsyuk também enfatizou a necessidade de restringir o acesso ao mercado de criptomoedas ucraniano a participantes criados com capital russo ou que tenham qualquer ligação com a Rússia.
Em um comunicado à imprensa, citado pelo portal de notícias sobre criptomoedas Forklog, o regulador de valores mobiliários da Ucrânia enfatizou:
“Essas abordagens visam aumentar a transparência das operações e reduzir os riscos de influência estrangeira ou não transparente nos processos políticos.”
O debate foi organizado pelo Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), uma organização intergovernamental que apoia a democracia em todo o mundo.
Os participantes pretendem apresentar recomendações concretas sobre como aumentar a transparência do financiamento político na Ucrânia, tendo em vista as futuras eleições.
Nos últimos anos, a Ucrânia tem figurado entre os principais países do mundo na adoção de criptomoedas, e o uso de dinheiro digital descentralizado aumentou desde o início da guerra, no começo de 2022, em meio às restrições ao uso de moeda fiduciária impostas pela lei marcial.
Os esforços iniciais para regulamentar as transações com criptomoedas foram interrompidos e adiados pelo início da invasão em larga escala da Rússia. Eles só foram retomados recentemente.
Em setembro de 2025, o parlamento de Kiev aprovou em primeira leitura a lei "Sobre os Mercados de Ativos Virtuais", que deverá determinar o estatuto jurídico dos ativos digitais e a sua tributação.
Um estudo do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), divulgado nessa época, descreveu a Ucrânia como uma "grande usuária de criptomoedas", tendo recebido US$ 106 bilhões em entradas de criptomoedas e gasto US$ 882 milhões em Bitcoin entre julho de 2023 e julho de 2024.
Entretanto, um ex-assessor do presidente ucraniano dent Zelenskyy afirmou nas redes sociais, no mês seguinte, que aliados ocidentais do país haviam iniciado uma investigação sobre fundos enviados e retirados da Ucrânia, inclusive por meio de criptomoedas, em meio a preocupações com corrupção política.
Ao mesmo tempo, a Rússia foi acusada de usar criptomoedas para influenciar eleições nos países vizinhos da Ucrânia, Romênia e Moldávia, bem como em outros países da região.
Em dezembro, as autoridades moldavas bloquearam a transferência de 107 milhões de dólares em moedas digitais destinadas a financiar partidos pró-Rússia na antiga república soviética.
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