
Segundo informações da imprensa local, o fundador do Telegram, Pavel Durov, está sendo investigado criminalmente na Rússia por supostamente auxiliar o terrorismo.
A notícia da investigação russa surge após comentários de autoridades ucranianas sugerindo restrições ao popular aplicativo de mensagens com base em acusações de natureza semelhante.
As autoridades policiais de Moscou estão investigando o fundador e proprietário do Telegram por "prestação de auxílio a atividades terroristas", informaram jornais russos esta semana.
Artigos publicados pelo jornal Komsomolskaya Pravda e pelo jornal oficial Rossiyskaya Gazeta citam documentos do Serviço Federal de Segurança (FSB) e do Ministério do Interior (MVD).
Segundo as informações citadas, o Telegram foi usado para cometer 153 mil crimes desde 2022, dos quais cerca de 33 mil estavam relacionados a sabotagem, terrorismo e extremismo.
Isso inclui o ataque terrorista mortal na casa de shows Crocus City Hall em março de 2024, que resultou na morte de quase 150 pessoas, conforme noticiado pelo portal RBC.
Entre eles, está também o assassinato de Daria Dugina, filha do filósofo político de extrema-direita e apoiador de Putin, Aleksandr Dugin, em 2022.
O Telegram teria sido usado no assassinato do blogueiro militar Maxim Fomin no ano seguinte e nos ataques contra nove oficiais militares de alta patente, observou a edição russa da Forbes.
A investigação contra Durov foi instaurada com base no Artigo 205.1, parágrafo 1.1, do Código Penal da Rússia (auxílio a atividades terroristas). Essa disposição prevê pena de prisão de oito anos à prisão perpétua.
O Telegram é acusado de não cumprir as exigências do Serviço Federal de Supervisão de Comunicações, Tecnologia da Informação e Mídia de Massa para remover milhares de canais, chats e bots relacionados à pornografia infantil, tráfico de drogas e outras atividades ilegais.
O jornal Komsomolskaya Pravda detalhou que a agência também não excluiu mais de 10.500 canais que continham incitações ao extremismo ou ao “financiamento do inimigo”, além de outros 1.125 que apresentavam materiais publicados por organizações extremistas e terroristas.
A agência reguladora de telecomunicações da Rússia, também conhecida como Roskomnadzor (RKN), começou a reduzir a velocidade do tráfego para o Telegram no início de fevereiro, além de bloquear o acesso ao WhatsApp da Meta.
Na época, Pavel Durov acusou Moscou de restringir seu aplicativo de mensagens numa tentativa de forçar seus cidadãos a "migrarem para um aplicativo controlado pelo Estado, criado para vigilância e censura política".
Em agosto de 2025, a Rússia limitou as chamadas de voz em ambas as plataformas de mensagens, alegando que estavam sendo usadas por fraudadores e extremistas, ao mesmo tempo em que promovia um aplicativo aprovado pelo governo chamado Max.
Ao comentar as últimas notícias da imprensa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, observou que as agências competentes estão tomando “medidas apropriadas” com base no “grande número de violações e na falta de vontade da administração do Telegram em cooperar” com as autoridades russas.
A notícia da investigação russa surge após apelos em Kiev para restringir o Telegram devido a alegações semelhantes. No domingo, a vice-chefe do gabinete dodent ucraniano Volodymyr Zelenskyy, Iryna Vereshchuk, defendeu tais medidas na sequência das explosões que abalaram a cidade de Lviv no mesmo dia.
“O ataque terrorista em Lviv… é mais um lembrete para considerarmos o funcionamento do Telegram e de outras plataformas anônimas em nosso espaço de informação”, observou ela em uma publicação, acrescentando que esses aplicativos de mensagens são usados para recrutar pessoas para cometer crimes, segundo a agência de notícias RIA Novosti.
Entretanto, o Ministro do Interior da Ucrânia, Ihor Klymenko, e o vice-chefe do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), Ivan Rudnytsky, defenderam a regulamentação do Telegram para impedir que a Rússia utilize o aplicativo para recrutar cidadãos ucranianos para sabotagens e ataques terroristas.
As instituições ucranianas “devem fortalecer certas funções regulatórias para limitar e impedir que esses recursos de informação sejam usados para atividades ilegais e terroristas”, disse Rudnytsky em uma coletiva de imprensa, citado pela Interfax-Ucrânia.
Um jovem policial foi morto e duas dezenas de pessoas ficaram feridas no atentado a bomba em Lviv, conhecido como "ataque duplo". Promotores ucranianos anunciaram posteriormente a prisão de um suspeito, cidadão ucraniano, que teria agido sob ordens dos serviços especiais russos.
Em agosto de 2024, Pavel Durov foi preso na França no âmbito de uma investigação sobre a moderação de conteúdo de sua plataforma de mensagens e a alegada falta de cooperação com as autoridades policiais.
Após sua libertação, Durov revelou que havia sido pressionado a censurar canais do Telegram durante as eleições presidenciais na Romênia e na Moldávia dent
O empreendedor tecnológico, que possui dupla cidadania franco-emiradense, deixou a Rússia há mais de uma década, após se recusar a fazer o mesmo com as contas de manifestantes russos e ucranianos na rede social VK. Durov já havia rejeitado anteriormente pedidos russos para entregar as chaves de criptografia do Telegram.
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