
A TSMC agora planeja fabricar chips de 3 nanômetros no Japão, aumentando a pressão sobre sua expansão internacional justamente quando o Japão se esforça para trazer a fabricação de chips de volta para casa.
A segunda fábrica, a ser construída em Kumamoto, foi originalmente planejada para produzir chips de 7nm até o final de 2027. Mas agora, a empresa quer ir direto para o processo de 3nm, o mesmo que utiliza para fornecer componentes para a Apple e a Nvidia. Isso também significa um custo maior: ¥2,6 trilhões, ou US$ 17 bilhões, de acordo com uma reportagem do Yomiuri publicada na quinta-feira.
Este projeto é uma peça fundamental do plano da primeira-ministra Takaichi Sanae para restaurar a vantagem tecnológica do Japão, visto que seu governo tem investido cash vez mais em semicondutores e inteligência artificial. O orçamento proposto pelo Ministério da Indústria para o próximo ano fiscal deverá atingir 1,23 trilhão de ienes, quase quatro vezes maior que o anterior.
Takaichi se reuniu com o CEO da TSMC, CC Wei, em Tóquio, e classificou o acordo como "uma parceria vantajosa para ambos os lados", tanto para a segurança econômica do Japão quanto para a estabilidade global do mercado de semicondutores.
Durante a mesma reunião, Wei agradeceu ao governo japonês. "Sem o apoio de vocês, este projeto de gigafábrica não seria possível", disse ele, salientando que a nova base da TSMC também apoiaria o avanço do Japão na área da inteligência artificial.
O anúncio ocorre pouco antes de uma eleição antecipada para a Câmara dos Deputados, marcada para 8 de fevereiro, por Takaichi, para garantir apoio enquanto sua popularidade permanece alta. Ela está no cargo há apenas cerca de três meses.
O acordo ainda não está totalmente fechado. Várias pessoas próximas às negociações disseram que o plano ainda está em fase inicial e pode sofrer alterações.
Mas mesmo sem termos finais, isso já transmite uma mensagem: a TSMC está agindo rapidamente. A empresa está se esforçando para atender à demanda global por chips de IA, especialmente porque mais países começam a questionar sua dependência de Taiwan.
O analista da Omdia, Akira Minamikawa, afirmou que a decisão provavelmente reflete a rapidez com que a demanda está crescendo e como o Japão poderia, eventualmente, sediar uma produção de chips ainda mais avançada. "Isso pode levar a discussões sobre a produção de nós ainda mais avançados no Japão no futuro", disse ele.
Essa medida também reduz os riscos. O fornecimento limitado de eletricidade e a restrição territorial de Taiwan estão se tornando problemas reais. O mesmo ocorre com a crescente tensão da ilha com a China.
Embora a TSMC tenha afirmado que manterá as ferramentas mais avançadas em seu país, agora está claro que ela está disposta a transferir a produção de chips já consolidada para o exterior. A empresa já produz chips de 2 nm em Kaohsiung, Taiwan, desde o último trimestre. Mas as unidades no exterior, como esta fábrica no Japão, ajudam a aliviar a demanda e a tranquilizar governos que não querem que todos os seus chips venham de Taiwan.
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