
As ações da Arm despencaram na noite de quarta-feira, caindo 7,48% após o fechamento do mercado, e na manhã de quinta-feira, a queda havia aumentado para 10%, mesmo com a empresa registrando receita recorde.
O problema é que Wall Street queria ver US$ 519,9 milhões em receita de licenciamento, e a Arm só arrecadou US$ 505 milhões, então o mercado ficou meio irritado.
Mas esse não foi o único motivo para a debandada dos investidores. Eles também não gostaram das projeções fracas da empresa nem das más notícias da Qualcomm, uma das maiores clientes da Arm.
A Qualcomm afirmou que a escassez de memória estava prejudicando a produção de smartphones, e suas ações caíram quase 10% após o fechamento do mercado, conforme relatado pela Cryptopolitan assustou todos que acompanham a Arm, já que uma grande parte de seus negócios ainda depende dos fabricantes de celulares.
Andrew Jackson, da Ortus Advisors, disse o que muita gente já pensava: "A Arm está tentando diversificar para chips de IA usados em data centers/servidores, mas o sucesso disso ainda é incerto, e seu modelo de negócios ainda depende muito dos royalties dos chips usados em produtos de consumo, como celulares."
Essa dependência agora é um problema. O alerta da Qualcomm sobre o fornecimento de memória levantou sérias questões. Se a produção de celulares cair na China este ano, a receita de royalties da Arm poderá sofrer um grande impacto. E os royalties foram a maior parte da receita da Arm no último trimestre, totalizando US$ 737 milhões, um aumento de 27% em relação ao ano passado.
Apesar do resultado abaixo do esperado em licenciamento, a receita total do trimestre foi recorde, atingindo US$ 1,242 bilhão, um aumento de 26% em relação ao ano anterior. Esse resultado superou as estimativas da SmartEstimates da LSEG, que prioriza analistas com melhor trac. O CEO Rene Haas tentou manter o clima positivo.
“A Arm apresentou um trimestre com receita recorde, à medida que a demanda por computação de IA em nossa plataforma continua a acelerar”, disse ele. Ele também acrescentou que o terceiro trimestre teve resultados recordes em royalties, com mais clientes construindo sistemas usando a tecnologia da Arm.
Ainda assim, os números contam uma história diferente. A margem operacional não-GAAP caiu para 40,7%, ante 45,0% no mesmo período do ano passado. O fluxo cash livre foi reduzido pela metade, caindo para US$ 169 milhões. E mesmo com os altos investimentos da Arm em pesquisa e desenvolvimento, isso não pareceu tranquilizar os investidores.
Uma área em que a Arm está ganhando tracé a de seus Subsistemas de Computação, também chamados de CSS. Trata-se de modelos de chips pré-construídos que ajudam as empresas a reduzir tempo e custos. A Arm afirma que 21 licenças de CSS já foram assinadas e que mais clientes estão optando por esse modelo porque projetar chips do zero leva muito tempo.
O programa Arm Total Design está apoiando essa mudança. Agora, ele inclui mais de 35 parceiros em serviços de software, chiplets, backend e ASIC. Grandes empresas de smartphones, data centers e até mesmo automóveis estão usando o CSS para acelerar o desenvolvimento de chips. A Arm afirmou que quanto mais tempo leva para fabricar chips complexos, maior a pressão para encurtar o ciclo de design. O CSS ajuda nesse sentido.
Além disso, o programa de licenciamento Total Access da Arm atingiu 50 contratos ativos, um aumento em relação aos 40 do ano passado. Essas licenças são voltadas para produtos em smartphones, IA, carros, computação embarcada e muito mais. O programa Flexible Access, focado em startups, alcançou 318 licenças, um aumento de 23% em relação ao ano anterior.
Mas esse crescimento não impediu que os custos aumentassem rapidamente. Os gastos com P&D (pesquisa e desenvolvimento) não GAAP saltaram 46%, atingindo US$ 512 milhões. As despesas gerais e administrativas subiram 19%, chegando a US$ 204 milhões. As despesas operacionais em geral aumentaram 37%, totalizando US$ 716 milhões no trimestre.
Apesar da receita ter superado as expectativas, os indicadores de lucro não foram tão tron . O lucro líquido GAAP caiu 12%, para US$ 223 milhões, e o lucro por ação caiu de US$ 0,24 para US$ 0,21. O lucro líquido não-GAAP atingiu US$ 457 milhões, um aumento de 10%, mas, novamente, as margens permaneceram sob pressão.
O lucro operacional, segundo os princípios contábeis geralmente aceitos (GAAP), foi de US$ 185 milhões, enquanto o lucro não-GAAP atingiu US$ 505 milhões, um aumento de 14%. A margem operacional GAAP caiu para 14,9%, em comparação com 17,8% no ano anterior. E embora os impostos tenham sido baixos, em 2,2%, o fluxo cash operacional caiu 14%, ficando em US$ 365 milhões.
Cash e os investimentos de curto prazo totalizaram US$ 3,54 bilhões, o que dá à Arm uma folga financeira. No entanto, as reservas futuras diminuíram. As obrigações de desempenho restantes da Arm caíram 8%, para US$ 2,15 bilhões. Isso pode significar que menostracforam assinados ou renovados.
Havia um dado positivo: o valor anualizado dostracsubiu 28%, atingindo US$ 1,62 bilhão. Isso demonstra um aumento no valor médio dos negócios, mesmo com a queda nas obrigações totais. Mas, no mercado atual, os investidores se preocupam mais com os resultados de curto prazo. E eles não gostaram do que viram.
A Arm, que abriu seu capital em 2023, acumula queda de 4% no ano. E com a produção de celulares ainda instável e a receita com inteligência artificial ainda não estabilizada, os investidores permanecem cautelosos.
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