
Por Johann M Cherian
4 Fev (Reuters) - As moedas digitais bitcoin e ether estão entrando em mais um mês de perdas e o debate sobre o que está por vir está esquentando.
O bitcoin BTC=, a criptomoeda mais valiosa do mundo, acumula queda de quase 40% desde o recorde de outubro, e as perdas mais recentes levaram os investidores a liquidar US$2,56 bilhões, de acordo com a CoinGlass no início desta semana.
Da mesma forma, o ether ETH= está rumando para o sexto mês consecutivo de desvalorização tendo perdido metade de seu valor desde o recorde em agosto.
Andrew O'Neill, analista-chefe de ativos digitais da S&P Global, atribui as perdas recentes ao desenrolar da alavancagem no mercado de futuros perpétuos de bitcoin, juntamente com restrições de liquidez impulsionadas por incertezas sobre tarifas de importação e taxas de juros japonesas.
As propriedades do bitcoin, em determinado momento, levaram alguns analistas a compará-lo ao ouro. Mas, segundo Michael Burry, investidor retratado no filme “The Big Short”, o bitcoin terá mais perdas do que ganhos pela frente.
Em um texto no início desta semana, Burry disse que o bitcoin está se tornando mais uma negociação especulativa do que um ativo que os investidores consideram seriamente, e foi essa especulação que provocou uma onda de vendas de metais preciosos nos últimos dias.
De acordo com Burry, as quedas do bitcoin provocaram uma onda de vendas de futuros de prata e ouro tokenizados em bolsas de criptomoedas que são negociados usando ativos digitais como garantia, mas não são respaldados pelo metal precioso. Consequentemente, isso levou os derivativos tradicionais a uma espiral ainda maior.
Burry afirma que grande parte dessa queda livre também tem a ver com o enfraquecimento dos preços mínimos, que incluíam seu uso popular para transações não rastreáveis e compras institucionais.
Se as perdas se aprofundarem, falências estão no horizonte, diz Burry, acrescentando que o recente fechamento do Metropolitan Capital Bank & Trust em Chicago pode estar relacionado a essas liquidações forçadas de garantias.
A quebra do bitcoin para US$60.000 significaria que o maior acumulador da criptomoeda, a Strategy MSTR.O, enfrentará uma crise existencial e, a US$50.000, os mineradores vão quebrar e serão forçados a vender suas reservas de BTC, disse Burry.
A diminuição do valor das participações em bitcoin deixou os investidores nervosos quanto ao futuro da Strategy nos principais índices.
Mas a S&P Global afirma que a companhia de software que se tornou uma empresa de entesouramento de criptomoedas tem liquidez disponível a curto prazo, acrescentando que a clareza regulatória sobre a tecnologia blockchain pode ser uma mudança favorável para o setor como um todo.
((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753))
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