
O iene está caindo novamente, e rápido. Agora está testando o nível de 160 por dólar, e as pessoas no mercado estão apreensivas. Ninguém está realmente surpreso, mas a velocidade da queda está chamando a atenção.
O que antes parecia um declínio lento agora se assemelha a uma queda acentuada. A última vez que o iene esteve sequer perto de um patamar tão baixo, a maioria dos investidores de hoje nem estava no mercado.
O problema começou em outubro passado, quando Sanae Takaichi se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão. Takaichi é conhecida por defender grandes gastos governamentais, o que afastou muitos investidores.
Então, ela convocou eleições antecipadas, na esperança de conquistar mais cadeiras no parlamento e consolidar suas políticas. A votação está marcada para 8 de fevereiro. Se vencer, espera-se que ela invista ainda mais para impulsionar a economia japonesa.
Muitos investidores passaram o ano de 2025 apostando na recuperação do iene. Agora, a maioria deles desistiu da espera. Eles inverteram suas apostas. As posições vendidas líquidas estão crescendo rapidamente. "Ninguém mais quer lutar contra isso", disse um investidor de Tóquio.
A pressão não se resume apenas à política. O iene manteve-se na faixa de 100 a 120 por dólar durante a maior parte da década de 2000. Mas as coisas mudaram quando a guerra na Ucrânia começou.
O Japão teve que pagar mais pelas importações de energia, e o Banco do Japão manteve as taxas de juros próximas de zero enquanto o Federal Reserve aumentava as suas. Essa combinação prejudicou o iene.
Neste momento, a linha dos 160 metros é o que todos estão observando. É aí que muitos acreditam que o governo japonês se sentirá forçado a intervir. Mas, até agora, eles permaneceram em silêncio.
Há mais em jogo do que apenas a valorização do dólar. A taxa de câmbio efetiva real do Japão, que compara o iene com seus principais parceiros comerciais e ajusta pela inflação, caiu mais de 30% desde 2020.
Ao mesmo tempo, a dívida nacional do Japão está acima de 200% do PIB. Esse é o índice mais alto do mundo desenvolvido. Takaichi afirma que pode resolver isso fazendo a economia crescer, não cortando gastos. Os investidores não estão convencidos disso.
Normalmente, quando os rendimentos dos títulos sobem, a moeda se valoriza. Mas esse padrão antigo acaba de ser quebrado. Os rendimentos dos títulos do governo japonês estão subindo, mas o iene continua caindo. Essa discrepância está assustando as pessoas.
Os mercados de ações em toda a Ásia também estão sentindo a pressão. O índice Nikkei 225 do Japão caiu 1,2% na quarta-feira. A Lasertec recuou 7%, a Konami caiu 5,8% e a Tokyotron perdeu 3,2%. O índice Topix caiu 0,39%.
Na Austrália, o índice S&P/ASX 200 caiu 0,22%, pressionado pelas ações de tecnologia e educação. O Kospi da Coreia do Sul subiu 0,4% e o Kosdaq ganhou 1,01%. Os futuros do índice Hang Seng em Hong Kong estavam em 26.590, ligeiramente abaixo do fechamento anterior de 26.834,77.
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