
Uma série de relatórios divulgados no final de janeiro trouxe notícias preocupantes para os líderes empresariais que apostaram alto na inteligência artificial: a maioria das empresas está registrando muita atividade, mas pouca melhora em seus resultados financeiros.
Estudos publicados em janeiro de 2026 pela gigante de consultoria PwC, juntamente com as empresas de tecnologia Anthropologie, OpenAI e Google, apresentam um panorama consistente. Os trabalhadores estão utilizando essas ferramentas mais do que nunca. No entanto, a esperada redução de custos e o aumento de receita não se concretizaram para a maioria das organizações.
Os números contam uma história clara. A pesquisa da PwC de 2026 com CEOs revelou que 56% não observaram redução de custos nem aumento de receita no último ano. Apenas 12% relataram ganhos em ambas as áreas.
Essa lacuna é importante. As empresas investiram pesado em licenças de software e treinamento. A pesquisa sugere que o problema não é a tecnologia em si, mas sim a forma como as empresas a estão implementando. Os executivos que relataram benefícios financeiros tinham duas a três vezes mais probabilidade de ter integrado essas ferramentas profundamente em suas operações e atividades voltadas para o cliente, em vez de simplesmente distribuir contas de software.
Simplesmente adicionar mais usuários não se traduz em melhor desempenho financeiro. As empresas precisam redesenhar a forma como o trabalho é realizado, e não apenas distribuir novas ferramentas.
Então, se contar usuários ativos não funciona, o que as empresas deveriam medir? A Anthropic divulgou, em 15 de janeiro, um estudo que propõe trac o que chama de "primitivas econômicas", ou seja, o tipo e a dificuldade das tarefas que as pessoas atribuem a esses sistemas.
A diferença entre os tipos de tarefas é importante. Ter um sistema que resuma um e-mail requer pouca sofisticação e economiza um tempo mínimo. Delegar um projeto de programação complexo e com várias etapas representa uma substituição genuína de mão de obra. A pesquisa da Anthropic mostra que as solicitações de desenvolvimento de software equivalem, em média, a 3,3 horas de trabalho humano, enquanto as tarefas administrativas pessoais levam apenas 1,8 horas.
Os gestores empresariais precisam ir além da simples contagem de quem acessou o sistema. Precisam saber que tipo de trabalho está sendo realmente realizado. O uso excessivo de tarefas triviais equivale a desperdício de dinheiro. O uso concentrado em tarefas complexas resulta em ganhos reais de produtividade.
A análise da OpenAI, publicada em 21 de janeiro, corrobora esse argumento. A empresa dent o que chama de " excesso de capacidade", uma discrepância entre o que esses sistemas podem realizar e como as pessoas realmente os utilizam.
Duas descobertas se destacam. Primeiro, os usuários mais assíduos utilizam recursos avançados, principalmente capacidades de raciocínio sofisticadas, sete vezes mais frequentemente do que os usuários típicos. Segundo, quando a OpenAI examinou os padrões de uso em mais de 70 países, constatou uma diferença de três vezes na intensidade com que as pessoas empregam esses recursos avançados.
Isso cria uma nova dinâmica competitiva. Empresas que operam em regiões onde os trabalhadores sabem como aproveitar ao máximo as capacidades do software terão um desempenho superior ao dos concorrentes que usam o mesmo software de maneiras menos sofisticadas. Alfabetização digital por si só não basta. Os trabalhadores precisam do que os pesquisadores chamam de “fluência agencial”, a capacidade de delegar tarefas complexas e com várias etapas.
A atualização de 20 de janeiro do software Workspace do Google resolve mais um desafio de mensuração. A empresa agora exibe análises de uso abrangentes, incluindo quais equipes estão usando os recursos e com que frequência, diretamente nos painéis de administração.
Essa mudança é importante. Ela transforma os gastos em uma categoria que os departamentos financeiros podem monitorar e auditar. O painel oferece dados de utilização para apoiar ou refutar a alegação de um gerente sobre o aumento da eficiência.
Que ações os executivos deveriam tomar de forma diferente? Analistas do setor sugerem cinco prioridades:
as autoridades financeiras precisem de relatórios uniformes sobre os efeitos nos lucros e prejuízos durante os próximos três meses. Provavelmente haverá competição entre os fornecedores de software para que suas técnicas de medição se tornem padrões da indústria. Os órgãos reguladores também podem solicitar dados sobre o grau de autonomia desses sistemas e quais medidas de segurança estão em vigor.
A mensagem deste conjunto de estudos é clara: a fase experimental terminou. Agora, as empresas enfrentam a pressão de demonstrar retornos concretos sobre seus investimentos.
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