
As ações do Pinterest despencaram na terça-feira, caindo mais de 10%, depois que a empresa anunciou a demissão de quase 15% de seus funcionários e a redução de seus investimentos em imóveis.
Isso significa a perda de centenas de empregos. Tudo isso está acontecendo enquanto o Pinterest se apressa em integrar inteligência artificial em tudo o que faz.
A empresa afirmou em um comunicado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA que as demissões serão concluídas até o final de setembro, logo após o encerramento do terceiro trimestre. Segundo o último levantamento, o Pinterest contava com mais de 4.500 funcionários em todo o mundo.
Esses cortes significam que aproximadamente 600 a 675 funcionários serão demitidos antes do outono. A empresa também prevê um prejuízo de US$ 35 a US$ 45 milhões em custos de reestruturação antes dos impostos. A maior parte desse valor virá de indenizações e da redução dos contratos de aluguel de escritórios.
Não se trata apenas de uma rodada de demissões. O Pinterest deixou claro que está reformulando toda a sua estrutura para girar em torno da IA. A empresa afirmou que está "realocando recursos" para equipes focadas em IA e cortando pessoal de áreas que não se alinham a esse objetivo. Isso inclui reformular a maneira como a empresa lida com vendas e marketing. A IA agora é a protagonista.
O Pinterest afirmou estar focado no desenvolvimento de recursos com inteligência artificial. Em outubro, lançou uma ferramenta chamada "Pinterest Assistant", destinada a ajudar os usuários a fazer compras na plataforma com buscas mais inteligentes. E para anunciantes, a plataforma começou a investir em tecnologia de anúncios automatizados, projetada para facilitar a obtenção de resultados com menos configuração manual.
Em novembro, o CEO Bill Ready afirmou: "Nossos investimentos em IA e inovação de produtos estão dando frutos". Ele chamou o Pinterest de líder em busca visual e disse que agora é um assistente de compras com inteligência artificial para 600 milhões de pessoas. É um número expressivo. Mas Wall Street não se deixou levar. As ações despencaram e os investidores claramente não gostaram da notícia da reestruturação.
Não é só o Pinterest que está fazendo isso. No último ano, cerca de 55 mil trabalhadores americanos perderam seus empregos devido a mudanças relacionadas à inteligência artificial, segundo a Challenger, Gray & Christmas. Empresas de diversos setores estão demitindo funcionários e substituindo-os por ferramentas de IA que podem realizar tarefas de forma mais rápida e barata. Se isso é realmente verdade ou apenas uma desculpa esfarrapada, ainda está em discussão.
A onda de demissões relacionadas à inteligência artificial não está parando no Pinterest. A Amazon está planejando uma segunda rodada de cortes corporativos na próxima semana, com o objetivo de eliminar um total de 30.000 vagas de escritório. Duas fontes familiarizadas com as discussões internas da empresa disseram que a próxima onda pode começar já na terça-feira.
A Amazon já havia cortado 14 mil empregos administrativos em outubro e, na época, vinculou os cortes à ascensão do software de IA. A empresa disse aos funcionários que "esta geração de IA é a tecnologia mais transformadora que vimos desde a internet". Essa frase apareceu em memorandos internos, numa clara tentativa de justificar as demissões como motivadas pela inovação.
Mas o CEO Andy Jassy voltou atrás nessa afirmação durante uma teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre. Ele disse que os cortes de empregos não tinham a ver com dinheiro ou inteligência artificial. "É uma questão cultural", afirmou. Ele culpou a burocracia excessiva e disse que a Amazon simplesmente tinha gente demais fazendo a mesma coisa. Nas palavras dele: "Você acaba com muito mais gente do que antes, e acaba com muito mais níveis hierárquicos."
No início de 2025, Jassy já havia alertado que o número de funcionários da Amazon diminuiria à medida que as ferramentas de IA se aprimorassem. E isso está se confirmando. Cada vez mais empresas estão utilizando bots de IA para automatizar tarefas, reduzir o quadro de funcionários e cortar custos. Durante o evento da AWS em dezembro, a Amazon apresentou novos modelos de IA para demonstrar a rapidez com que as coisas estão mudando.
Ainda assim, os 30.000 cortes de empregos representam menos de 2% dos 1,58 milhão de funcionários da Amazon. A maior parte da força de trabalho da Amazon ainda está em armazéns e centros de distribuição, portanto, as demissões afetaram principalmente cargos corporativos.
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