
A renovada incerteza macroeconômica decorrente de mais uma paralisação do governo dos EUA e o consequente impasse em relação ao andamento da Lei CLARITYrippleo Bitcoin e o mercado de criptomoedas em geral. Grande parte do ímpeto observado nas duas primeiras semanas do ano desapareceu.
Além dessa reinicialização, Bitcoin está à beira de escrever um capítulo desagradável em sua história. Pela primeira vez desde 2018, Bitcoin está perto de registrar o quarto mês consecutivo de queda. Com o fim do mês se aproximando, os investidores estão de olho na marca de US$ 87,8 mil para o BTC, já que um fechamento abaixo desse nível praticamente confirmaria esse cenário.

Correções ou reduções no mercado de alta Bitcoin não são um fenômeno incomum. Na verdade, quando analisamos o histórico, a correção atual de cerca de 30% em relação às máximas atingidas em outubro do ano passado está dentro da faixa de correções de ciclos de alta anteriores. Inclusive, já vimos correções mais acentuadas, como no ciclo de alta de 2021, antes da tendência de alta finalmente ser retomada.

O que chama a atenção, no entanto, é a raridade com que Bitcoin apresenta quatro candles vermelhos mensais consecutivos. Notavelmente, a última vez que isso aconteceu, em 2018, Bitcoin não encerrou sua sequência de meses negativos no quarto candle. Em vez disso, Bitcoin sofreu uma queda adicional de cerca de 20%, com mais dois meses negativos. Uma situação semelhante ocorreu em 2015, quando as perdas chegaram perto de 60% após a sequência de quatro meses negativos.


A conclusão não é que a história deva se repetir, mas sim que a assimetria de risco aumenta em torno desses pontos de inflexão. Uma quarta vela vermelha mensal, seguida por confirmações como um momentum de baixa mais acentuado, baixo volume e pressão vendedora on-chain, colocaria em xeque a tese de alta.
A razão pela qual a história não precisa se desenrolar dedenté porque o contexto importa. A dinâmica e a natureza do Bitcoin como classe de ativos são completamente diferentes do que eram em 2018 e, ainda mais, em comparação com 2015. Além de ser um ativo muito maior em termos de capitalização de mercado, o que por si só exige mais capital para influenciar o preço, a composição dos participantes do mercado mudou significativamente.
Por mais de uma década, Bitcoin foi dominado principalmente por investidores de varejo. Essa dinâmica mudou categoricamente com a introdução de ETFs Bitcoin à vista, a expansão dos mercados de derivativos institucionais e a maturação da infraestrutura de liquidez e custódia. A entrada de algumas das maiores empresas de investimento, como BlackRock, Fidelity e outras, ancorou o BTC ainda mais nos mercados de capitais tradicionais.
Ao mesmo tempo, a entrada de empresas públicas de tesouraria Bitcoin no mercado adicionou uma nova camada estrutural à dinâmica de oferta do Bitcoin. Elas agora detêm coletivamente 5,42% da oferta total.

Em conjunto, o aumento da participação institucional e o surgimento de canais regulamentados para obter exposição ao mercado mudaram fundamentalmente a forma como Bitcoin deve ser visto. Ele não é mais um ecossistema liderado por investidores individuais, e essa mudança altera as premissas que antes sustentavam muitos padrões históricos de preços.
À medida que nos aproximamos do final do mês, o sentimento em relação às criptomoedas tem oscilado entre o medo e níveis de extremo medo. Grande parte desse pessimismo decorre das incertezas macroeconômicas que pairam no ar, mas também do forte desempenho superior observado em outras classes de ativos, principalmente as commodities.
Neste momento, o limite é de US$ 87,8 mil. Um fechamento abaixo desse valor e o BTC registrará a quarta vela vermelha mensal. Apesar da perspectiva pessimista, a continuidade da volatilidade para baixo, juntamente com o baixo volume, será o sinal revelador de um movimento impulsionado mais por exaustão do que por convicção.