
O Telegram perdeu o acesso a um financiamento de US$ 500 milhões depois que um título foi congelado devido às sanções ocidentais contra a Rússia. Apesar da presença global do Telegram, seus laços com Moscou ainda afetam seus negócios.
O Telegram emitiu diversos títulos, incluindo títulos de emissões, para cobrir dívidas anteriores. A empresa realiza recompras regulares de ações e já adquiriu a maior parte de sua dívida com vencimento em 2026.
Uma parte dos títulos em circulação, totalizando US$ 500 milhões, foi congelada no depositário central de valores mobiliários da Rússia, devido a sanções ocidentais, informou o Financial Times. As emissões de títulos expuseram o Telegram ao capital russo, o que complica suas operações com títulos e seu programa de recompra de ações.
O Depositário Nacional de Liquidação da Rússia enfrentou sanções da UE, bem como de contrapartes do Reino Unido e dos EUA, impondo congelamento de ativos e outras restrições. As sanções, aplicadas após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, expõem outras grandes organizações ocidentais com detentores de títulos russos.
O Telegram alertou os detentores de títulos que reembolsará a dívida congelada no vencimento, enquanto o agente pagador e o depositário decidirão se os pagamentos poderão ser liberados para os detentores russos.
O fundador do Telegram, Pavel Durov, buscou explicitamente transformar a empresa em uma presença internacional, combatendo as alegações de que sofre influência do governo. Durov negou essas acusações, classificando-as como "teorias da conspiração"
Como relatado anteriormente pela Cryptopolitan, o Telegram tem buscado visibilidade junto aos investidores americanos, inclusive por meio de sua blockchain TON. Ao longo dos anos, o Telegram e a TON tiveram que trabalhar para serem aceitos como parte do ecossistema cripto.
O Telegram pretende se apresentar como uma empresa global, visando uma possível oferta pública inicial (IPO). O grupo está sediado em Dubai, e Durov se distanciou da Rússia desde 2014, após se recusar a compartilhar dados de usuários com as autoridades russas.
Durov também enfrenta processos judiciais na França, o que reforça a questão mais controversa do Telegram: o potencial compartilhamento de dados de usuários. Durov afirmou diversas vezes que está comprometido com a liberdade de expressão e com a resistência à pressão governamental.
O Telegram vem ganhando popularidade no último ano, apresentando resultados financeiros positivos apesar da investigação em curso pelas autoridades francesas. Em 2025, o Telegram continuava sendo uma empresa enxuta, com uma equipe reduzida, mas com acesso a 1 bilhão de usuários.
Após adicionar publicidade e assinaturas, a empresa atingiu US$ 870 milhões em receitas no primeiro semestre, acumulando US$ 910 milhões em cash e equivalentes cash . O Telegram pode estar a tracatingir US$ 2 bilhões em receitas em 2025, parcialmente impulsionado por seu token TON e pela atividade on-chain. De acordo com relatos, até US$ 300 milhões dessas receitas podem vir do uso do TON, após o Telegram ter concedido exclusividade à sua rede nativa no aplicativo, removendo o acesso ao Ethereum e a outras blockchains de sua carteira.
O sucesso da monetização aumentou novamente o potencial para uma oferta pública inicial (IPO), embora a investigação francesa possa atrasar a oferta.
Os detentores de títulos estão acompanhando de perto a trajetória do Telegram , já que a posse de dívida pode dar aos investidores a opção de comprar ações com até 20% de desconto. O potencial IPO ocorre em um momento em que outras empresas ligadas a criptomoedas também buscam abrir seu capital.
O Telegram ainda não foi inocentado das acusações de hospedar grupos que disseminam conteúdo ilegal, embora Durov negue qualquer irregularidade deliberada. O Telegram continua sendo uma rede ampla e não supervisionada, que já abrigou mercados não regulamentados, com relatos de conteúdo ilegal.
Apesar das receitas significativas, o Telegram baixou o valor de suas participações em TON, visto que o ativo caiu constantemente. No entanto, no último mês, o TON se recuperou em mais de 19%, chegando a US$ 1,92.
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