EXCLUSIVO-França ameaça bloquear 'passaporte' de licenças de criptomoedas na luta regulatória da UE
Por Mathieu Rosemain e Elizabeth Howcroft
PARIS, 15 Set (Reuters) - A França alertou que pode tentar bloquear algumas empresas de criptomoedas licenciadas em outros países da UE de operar internamente como parte de um esforço para transferir a supervisão para o regulador central de valores mobiliários do bloco, disse o chefe de seu órgão de supervisão financeira à Reuters.
A agência de fiscalização de valores mobiliários da França, a AMF, está preocupada que, sob o novo regime regulatório da UE, as empresas de criptomoedas estejam buscando jurisdições com padrões de licenciamento mais brandos, disse sua presidente, Marie-Anne Barbat-Layani.
Mica (link), um conjunto histórico de regras de ativos digitais que surgiu em vigor este ano, permite empresas de criptomoedas solicitem licenças de membros individuais da UE, que podem ser usadas como um "passaporte" para operar em todo o bloco de 27 países.
A legislação já expôs inconsistências (link) na forma como os reguladores nacionais aplicam as regras, levantando questões sobre se algumas licenças estão sendo concedidas muito rapidamente e se as empresas transfronteiriças estão sendo supervisionadas adequadamente.
LACUNAS DE SUPERVISÃO SÃO O ALARME
Em jogo está a supervisão da indústria multibilionária de criptomoedas, que os reguladores em todo o mundo há muito alertam que poderia desestabilizar mercados (link) e prejudicar investidores (link) se não for supervisionado adequadamente.
Na segunda-feira, a França juntou-se à Itália e à Áustria no apelo à criação da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados(ESMA), com sede em Paris, assumirá a supervisão das principais empresas de criptomoedas, de acordo com um documento de posição visto pela Reuters.
Em seu alerta mais forte até agora, a AMF disse à Reuters que a França não descartaria a possibilidade de usar a "arma atômica" para contestar o "passaporte" de uma licença concedida por um estado-membro diferente.
Uma característica do mercado único da UE para os serviços financeiros é o "passaporte". permite que empresas autorizadas por um estado-membro operem em todo o bloco. A AMF não deu detalhes sobre quais licenças de empresas ela poderia considerar contestar, nem com base em quê.
"Não descartamos a possibilidade de recusar o passaporte da UE", disse Barbat-Layani. "É muito complexo juridicamente e não é um bom sinal para o mercado único — é um pouco como a 'arma atômica'... mas ainda é uma possibilidade que mantemos em reserva."
Plataformas de criptomoedas " estão fazendo compras regulatórias por toda a Europa, tentando encontrar um elo fraco que lhes dará uma licença com menos requisitos do que os outros", acrescentou ela, sem fornecer exemplos específicos.
PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE REGULADORES
No jornal de segunda-feira, A AMF francesa, a Consob italiana e a FMA austríaca apelaram aos parlamentares europeus para introduzir um mecanismo para transferir poderes para a ESMA.
"Os primeiros meses de aplicação do Regulamento revelaram grandes diferenças na forma como os mercados de criptomoedas estão sendo supervisionados pelas autoridades nacionais", disseram os três reguladores.
A supervisão europeia direta protegeria melhor os investidores, eles disseram.
O regulador financeiro de Malta enfrentou escrutínio sobre o seu processo de concessão de licenças no início deste ano. Uma análise da ESMA concluiu que Malta não fez o suficiente (link) para avaliar o risco ao conceder uma licença a uma determinada empresa de criptomoedas não identificada. Malta disse estar orgulhosa de seu papel como "pioneira" na regulamentação de ativos digitais.
Os reguladores francês, italiano e austríaco não deu exemplos de casos em que os reguladores interpretaram as regras de forma diferente.
Empresas de criptomoedas estão em processo de solicitação de licenças MiCA durante um período de transição. Luxemburgo concedeu uma licença à corretora norte-americana Coinbase COIN.O e Malta concedeu uma licença à corretora Gemini, fundada por Winklevoss. (link).
França, Itália e Áustria também apelaram a Revisões do MiCA, incluindo regras mais rígidas para atividades de empresas de criptomoedas fora da UE, melhor supervisão de segurança cibernética e uma revisão de como as autoridades gerenciam novas ofertas de tokens de criptomoedas.
A França há muito tempo vem pressionando pela ESMA para receber maior poder. A presidente da ESMA, Verena Ross, disse que acolheria com agrado a mudança, mas enfrenta resistência (link) de alguns membros da UE.
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