Por Kopano Gumbi
JOHANESBURGO, 31 Mar (Reuters) - A África do Sul anunciou na terça-feira que reduzirá o imposto sobre combustíveis por um mês para impedir que os preços subam ainda mais em abril, após a pressão de sindicatos e grupos empresariais sobre o governo para intervir e atenuar o impacto da guerra envolvendo o Irã. (link)
Os ministérios das Finanças e do Petróleo afirmaram em comunicado que o governo recuperaria os 6 bilhões de rands (US$ 350,69 milhões) por meio de outros mecanismos da receita tributária que deixaria de arrecadar com o corte de impostos de curto prazo.
O comunicado afirma que estão em andamento os trabalhos para um pacote mais amplo de medidas de apoio às famílias e aos principais setores da economia, uma vez que, apesar do corte na taxa, o preço regulamentado da gasolina aumentará cerca de 15% em abril e o do diesel no atacado, 40%.
A taxa geral sobre combustíveis será reduzida em 3 rands em abril, passando a ser de 1,10 rand por litro para gasolina e 0,93 rand por litro para diesel.
O ministro das Finanças, Enoch Godongwana, disse a jornalistas que o governo monitoraria os desdobramentos no Oriente Médio e que, caso o conflito persista, poderia conceder algum alívio no imposto sobre combustíveis em maio e junho.
"Não acho que isso possa ser sustentado além de junho", disse ele.
Corte de impostos reflete medida de 2022 durante crise na Ucrânia
A África do Sul implementou medidas de auxílio semelhantes em 2022, após o início da guerra da Rússia na Ucrânia.
Essa redução de 1,5 rand por litro permaneceu em vigor por vários meses antes de ser diminuída e, posteriormente, retirada.
O Banco Central da África do Sul (link) alertou na reunião de política monetária da semana passada para os riscos inflacionários decorrentes do aumento dos preços dos combustíveis, afirmando que uma inflação de combustíveis superior a 18% era esperada no segundo trimestre.
O rand ZAR=D3, moeda sensível ao risco, caiu quase 7% em relação ao dólar desde que os EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã no final de fevereiro, aumentando os riscos inflacionários.
EXPOSTO AO CHOQUE ENERGÉTICO GLOBAL
A África do Sul importa a maior parte de seus produtos petrolíferos, o que a torna altamente vulnerável às oscilações dos preços globais da energia.
A maior economia da África ajusta mensalmente os preços dos combustíveis usando uma fórmula que leva em consideração as variações nos preços globais do petróleo bruto, a taxa de câmbio e impostos locais, como o imposto sobre combustíveis.
As alterações de preço entram em vigor na primeira quarta-feira de cada mês.
(US$ 1 = 17,1091 rands)