Por Kopano Gumbi
JOHANESBURGO, 31 Mar (Reuters) - O ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, está considerando reduzir o imposto sobre combustíveis para amenizar o impacto da guerra com o Irã (link) sobre os preços internos dos combustíveis, disse à Reuters uma autoridade de alto escalão do governo.
Godongwana anunciará sua decisão na terça-feira, antes que os reajustes mensais nos preços dos combustíveis entrem em vigor na quarta-feira, disse o funcionário, pedindo para não ser identificado devido à delicadeza do assunto.
De acordo com o orçamento do mês passado, a taxa geral sobre combustíveis deveria aumentar ligeiramente a partir de 1º de abril, para cerca de 4 rands por litro, tanto para gasolina quanto para diesel.
Sindicatos (link), grupos de pressão empresarial e partidos políticos têm instado o governo a intervir para limitar os aumentos nos preços dos combustíveis, impulsionados pela alta dos preços globais da energia desde a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã.
Corte no imposto sobre combustíveis pode espelhar medida de 2022
Um funcionário do setor energético, que também falou sob condição de anonimato, disse que o governo estava considerando medidas de alívio semelhantes à decisão de 2022 de reduzir temporariamente o imposto geral sobre combustíveis após o início da guerra da Rússia na Ucrânia.
Essa redução de 1,5 rand por litro permaneceu em vigor por vários meses antes de ser diminuída e, posteriormente, retirada.
O banco central da África do Sul (link) alertou para os riscos inflacionários decorrentes do aumento dos preços dos combustíveis em sua reunião de política monetária da semana passada, afirmando que uma inflação de combustíveis superior a 18% era esperada no segundo trimestre.
O rand ZAR=D3, moeda sensível ao risco, caiu mais de 6% em relação ao dólar desde o início do conflito no Oriente Médio, aumentando a pressão de alta sobre os preços dos combustíveis.
EXPOSTO AO CHOQUE ENERGÉTICO GLOBAL
A África do Sul importa a maior parte de seus produtos petrolíferos, o que a torna altamente vulnerável às oscilações dos preços globais da energia.
A maior economia da África ajusta mensalmente os preços dos combustíveis usando uma fórmula que leva em consideração as variações nos preços globais do petróleo bruto, a taxa de câmbio e impostos locais, como o imposto sobre combustíveis. As alterações de preço entram em vigor na primeira quarta-feira de cada mês.