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EXCLUSIVO-Órgão europeu de aviação avalia riscos à segurança à medida que conflito comprime corredores aéreos

Reuters30 de mar de 2026 às 06:00
  • Conflito no Oriente Médio reduz corredores de voo
  • Menos rotas significam mais congestionamento no espaço aéreo aberto.
  • A EASA alerta para os riscos de segurança decorrentes do tráfego aéreo concentrado.
  • Agência analisa regras mais claras sobre poderes civis de combate a drones.

Por Tim Hepher e Joanna Plucinska

- As guerras, incluindo um conflito crescente no Oriente Médio, estão aumentando os riscos para a aviação, à medida que os corredores de voo são reduzidos e os drones se tornam mais comuns, disse à Reuters o principal órgão regulador de segurança da aviação da Europa.

A guerra no Irã, que já dura um mês (link), está remodelando o espaço aéreo em todo o Oriente Médio e aumentando as interrupções nos voos, incluindo o congestionamento de rotas entre a Ásia e a Europa que antes transitavam ou sobrevoavam a região.

Além do prolongado conflito entre Rússia e Ucrânia e dos combates entre Paquistão e Afeganistão, as companhias aéreas foram forçadas a operar em corredores cada vez mais restritos, principalmente sobre o Azerbaijão e a Ásia Central.

"É evidente que a concentração do tráfego em determinadas rotas, a disponibilidade do espaço aéreo para o controle de tráfego aéreo e o fato de o tráfego poder utilizar rotas menos comuns podem gerar riscos à segurança", afirmou Florian Guillermet, diretor executivo da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).

Esses são os primeiros comentários da autoridade reguladora da aviação civil europeia desde o início da guerra no Oriente Médio, no final de fevereiro. A aviação está entre os setores mais afetados, com pilotos enfrentando riscos crescentes (link) de mísseis e drones.

Guillermet, um veterano do setor que anteriormente dirigiu o sistema de controle de tráfego aéreo da França, disse que a tripulação e os controladores eram treinados para antecipar e mitigar riscos. Mesmo assim, o fechamento do espaço aéreo ou a restrição de voos eram, por vezes, inevitáveis.

"Nós, da aviação, temos os meios para mitigar os riscos. Um desses meios é esvaziar o espaço aéreo", disse ele, acrescentando que, embora isso cause transtornos aos passageiros, continua sendo a maneira mais eficaz de manter a densidade do tráfego "sob controle em todos os momentos".

A EASA, que reúne 31 países europeus, está preparando uma revisão periódica de sua estratégia de aviação em um momento em que um dos meios de transporte mais seguros enfrenta riscos crescentes – desde interferências de GPS e drones até ameaças operacionais como aproximações instáveis ​​e incidentes em pistas de pouso e decolagem.

Na sexta-feira, a EASA renovou (link) seu alerta para evitar o espaço aéreo sobre o Irã, Israel e partes do Golfo até 10 de abril.

REGRAS MAIS CLARAS PARA O USO DE DISPOSITIVOS CONTRA DRONES

Guillermet afirmou que a EASA também está elaborando diretrizes mais claras sobre quais poderes podem ser usados ​​para combater o aumento da atividade de drones não autorizados que têm como alvo aeroportos civis.

Os aeroportos da UE estão lidando com incidentes envolvendo drones que especialistas em segurança associam à chamada "guerra híbrida" - uma combinação de força militar, ataques cibernéticos e outras interferências.

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os drones se tornaram uma arma fundamental para ambos os lados. Aeroportos de Estocolmo (link) para Munique (link) enfrentaram perturbações relacionadas a drones, suspeitas, embora não confirmadas, de estarem ligadas ao conflito.

Guillermet afirmou que regras mais claras eram necessárias, especialmente devido ao aumento da atividade de drones "relacionada ao Estado".

"Hoje, estamos diante de um cenário muito diferente. É isso que a agência está reavaliando neste momento", disse ele em entrevista na sede da agência em Colônia. "A situação que enfrentamos agora é mais parecida com uma guerra híbrida."

A EASA está analisando os requisitos técnicos para dispositivos usados ​​perto de aeroportos.

"Estamos considerando a possibilidade de estabelecer alguns requisitos que devem ser aplicáveis ​​aos dispositivos que serão usados ​​nessas circunstâncias, para que possamos dizer claramente: 'Ok, este é o intervalo de potência que vocês devem usar'", disse ele.

Aviso legal: as informações fornecidas neste site são apenas para fins educacionais e informativos e não devem ser consideradas consultoria financeira ou de investimento.

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