Por Tamiyuki Kihara
TÓQUIO, 27 Mar (Reuters) - O Ministério da Indústria do Japão solicitou aos atacadistas nacionais que passem a utilizar o preço do petróleo bruto Brent em vez do preço de referência de Dubai para definir os preços da gasolina, numa tentativa de conter a alta dos preços, de acordo com um documento visto pela Reuters na sexta-feira.
A medida amplia o leque de ferramentas que o Japão, que é dependente do Oriente Médio para mais de 90% de seu petróleo, tem implantado para lidar com as interrupções decorrentes da guerra com o Irã. Essas medidas variaram desde a libertação parcial (link) das reservas de petróleo até a consideração (link) de uma intervenção no mercado futuro de petróleo bruto para mitigar a vulnerabilidade do iene.
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria(METI) recusou-se a comentar o documento.
A crise de abastecimento está afetando duramente a Ásia e o Vietnã, a Indonésia e a Índia entraram em contato com o Japão em busca de apoio, conforme mostrou o documento.
O Vietnã solicitou petróleo bruto para sua refinaria de Nghi Son, que é copropriedade da Idemitsu Kosan 5019.T, conforme consta no documento. Além disso, a Inpex 1605.T pode considerar o fornecimento de gás liquefeito de petróleo (GLP) para a Índia em troca de nafta e petróleo bruto, enquanto a Indonésia também pretende adquirir GLP da Inpex, segundo o documento.
A Inpex e as principais refinarias e atacadistas do Japão, Eneos Holdings 5020.T e Cosmo Energy Holdings 5021.T, recusaram-se a comentar. A Idemitsu Kosan não estava imediatamente disponível para comentar.
MÁXIMAS RECORDES
O Dubai (link) atingiu um pico, chegando a quase US$ 170 na semana passada, superando o Brent LCOc1, o que tornou o fornecimento do Oriente Médio o petróleo mais caro do mundo, já que a quantidade de petróleo bruto disponível para negociação diminuiu depois que a S&P Global Platts excluiu três dos cinco tipos de petróleo bruto em antecipação a uma interrupção prolongada no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.
O METI informou que as empresas japonesas estão comprando petróleo a uma média de US$ 140 a US$ 200 por barril, após a alta dos preços em decorrência do início da guerra EUA-Israel (link) com o Irã.
Os contratos futuros de petróleo bruto Brent estão sendo negociados em torno de US$ 100 por barril, mais baratos que o petróleo bruto Dubai, referência asiática, portanto, a mudança limitará os aumentos nos preços da gasolina, segundo o documento, que propõe que os atacadistas continuem a usar o Brent como referência de preço daqui para frente.
Essas orientações administrativas do governo não são juridicamente vinculativas, mas as empresas geralmente as cumprem. Este mês, os preços da gasolina no Japão ultrapassaram os 190 ienes (US$ 1,19) por litro, o valor mais alto de todos os tempos, forçando (link) o governo a introduzir subsídios.
O Japão (link) começou a liberar petróleo de seus estoques privados em 16 de março e utilizou as reservas nacionais, bem como as mantidas em conjunto com três nações produtoras de petróleo do Golfo, em 26 de março.
A primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi (link) pediu ao diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, uma liberação coordenada adicional das reservas de petróleo quando se encontraram em Tóquio esta semana.
(US$ 1 = 159,93 ienes)