Por Humeyra Pamuk e Susan Heavey
WASHINGTON, 23 Mar (Reuters) - O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que houve conversas entre Estados Unidos e Irã no último dia, nas quais os dois lados chegaram a "importantes pontos de concordância", acrescentando que um acordo para pôr fim à guerra pode ser fechado em breve.
Trump disse que seu enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e seu assessor próximo e genro, Jared Kushner, conversaram com representantes iranianos no domingo e que as discussões continuariam nesta segunda.
"Tivemos conversas muito, muito produtivas. Vamos ver aonde elas nos levam. Temos pontos, importantes pontos de concordância, eu diria... tivemos conversas muito produtivas, o sr. Witkoff e o sr. Kushner as tiveram", declarou Trump.
"Tudo o que estou dizendo é que estamos diante de uma possibilidade real de fechar um acordo", disse ele a repórteres antes de partir da Flórida para Memphis.
Ele se recusou a dizer com quem os Estados Unidos estão conversando no Irã, mas afirmou que não é com o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei. Trump disse que o Irã "ainda tinha alguns líderes".
"Estamos lidando com o homem que acredito ser o mais respeitado e o líder", afirmou Trump.
A agência de notícias iraniana Fars, citando uma fonte, informou que não há comunicações diretas ou indiretas com os Estados Unidos.
Mais cedo nesta segunda-feira, Trump recuou da ameaça de atacar a rede elétrica do Irã, dizendo que adiaria quaisquer ataques a usinas e infraestrutura energética.
A reação dos mercados foi rápida e marcante: os contratos futuros do petróleo Brent caíram acentuadamente, o dólar se desvalorizou em relação a outras moedas importantes, as bolsas de valores subiram e os custos de empréstimos do governo recuaram.
A declaração de Trump na segunda-feira veio depois que o Irã ameaçou atacar as usinas de energia de Israel e aquelas que abastecem as bases norte-americanas na região do Golfo, caso os EUA atacassem a rede elétrica iraniana.
No sábado, Trump alertou que as usinas de energia iranianas seriam destruídas se Teerã não "abrisse totalmente" o Estreito de Ormuz para toda a navegação em 48 horas. Trump estabeleceu um prazo por volta das 20h44 (horário de Brasília) na segunda-feira.
Ataques iranianos praticamente fecharam o estreito, que transporta um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
(Reportagem de Susan Heavey, Humeyra Pamuk e Bhargav Acharya)
((Tradução Redação São Paulo))
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