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ANÁLISE-Companhias aéreas de custo ultrabaixo fizeram aposta arriscada em aviões eficientes em consumo de combustível

Reuters20 de mar de 2026 às 13:32
  • A Frontier está confiante em lidar com a volatilidade dos preços dos combustíveis e aumenta as tarifas.
  • Segundo analista do Deutsche Bank, manter aviões novos parados é caro se a demanda cair.
  • 85% da frota da Frontier é composta por aeronaves Airbus A320neo, eficientes em termos de combustível.
  • Analista afirma que a Spirit vai devolver ou vender jatos mais novos devido aos altos custos.

Por Doyinsola Oladipo e Shivansh Tiwary

- As companhias aéreas de custo ultrabaixo possuem algumas das aeronaves mais novas e com maior eficiência de combustível do setor, mas se a demanda por viagens nos Estados Unidos diminuir devido à crescente incerteza macroeconômica, o custo dessas novas aeronaves poderá se tornar um obstáculo ao lucro.

As companhias aéreas norte-americanas disseram na terça-feira que estavam registrando uma demanda de viagens na primavera mais forte do que o esperado. (link) Ainda assim, enquanto a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã (link) fez com que os preços do combustível de aviação nos EUA ultrapassassem US$ 200 por barril, as operadoras tradicionais estão começando a reduzir a capacidade, a exemplo da United Airlines (link) ou poderiam deixar aeronaves paradas para economizar custos, um luxo que a Frontier Airlines ULCC.O pode não ter.

A Frontier (link) afirmou ter observado uma melhora na demanda no primeiro trimestre, preenchendo as lacunas deixadas pela contração da Spirit na Costa Oeste. A receita ajustada por milha de assento disponível, um indicador de poder de precificação, estava em tendência de alta antes do aumento do preço do combustível, disse um porta-voz da empresa.

Maior eficiência no consumo de combustível é uma clara vantagem, visto que o maior gasto das companhias aéreas, depois da mão de obra, é o combustível de aviação. Na quinta-feira, o preço do combustível de aviação ultrapassou os US$ 200 por barril, de acordo com Tom Kloza, analista principal da Kloza Advisors, em comparação com cerca de US$ 105 antes do início do conflito.

A Frontier iniciou 2026 comprometida (link) a aumentar a sua taxa de utilização de aeronaves para reduzir custos e diminuir as tarifas para os clientes.

A Frontier afirmou ter a frota mais eficiente em termos de consumo de combustível nos EUA e que seu consumo por passageiro é 40% menor que o de seus concorrentes. "Partimos de uma posição melhor em termos de consumo por passageiro, dado o modelo de negócios de alta densidade que temos e a predominância de aeronaves novas em nossa frota", disse James Dempsey, presidente-executivo da Frontier, na conferência da JP Morgan Industrials na terça-feira.

MANTER OS AVIÕES EM MOVIMENTO

Mas o sucesso das companhias aéreas de custo ultrabaixo depende de manter os aviões em movimento. Os aviões mais eficientes em termos de consumo de combustível são os mais novos e mais caros, e se a demanda começar a diminuir, torna-se financeiramente difícil deixá-los parados, disse Michael Linenberg, analista de pesquisa do Deutsche Bank, em nota.

"É muito mais 'caro' para uma companhia aérea manter uma aeronave nova parada do que uma mais antiga, totalmente depreciada e sem ônus financeiros", disse Linenberg, acrescentando que, se os preços dos combustíveis mais que dobrarem, operar uma aeronave 15% mais eficiente do que a geração anterior não chega nem perto de compensar o prejuízo financeiro.

A Spirit, com o objetivo de sair da falência (link) ainda este ano, decidiu devolver aos locadores ou vender (link) a maioria, possivelmente todas, das suas aeronaves Airbus A320neo mais recentes e com maior eficiência de combustível, afirmou o analista da indústria da aviação Henry Harteveldt.

A decisão reflete os custos de propriedade mais elevados desses jatos mais novos, disse ele, que eram muito caros para a companhia aérea manter em sua frota. A Spirit se recusou a comentar.

A Frontier também tomou medidas para reduzir o tamanho de sua frota, rescindindo os contratos de leasing de 24 jatos atualmente em serviço. Além disso, adiou a introdução de 69 jatos A320neo, que deveriam ser entregues entre 2027 e 2030.

As despesas anuais com combustível da transportadora sediada em Denver caíram 11%, para US$ 929 milhões em 2025, em parte devido a uma redução de 10% nos custos do combustível. Mas as despesas com aluguel de aeronaves da Frontier aumentaram 11%, para US$ 748 milhões no mesmo período, devido à aquisição de novas aeronaves.

Um porta-voz da empresa afirmou que a Frontier confia em sua capacidade de enfrentar o atual cenário volátil de preços dos combustíveis. Dempsey declarou esta semana que a Frontier estava "seguindo o exemplo" de outras companhias aéreas ao aumentar as tarifas (link).

Em dezembro de 2025, cerca de 85% da frota da Frontier era composta por aeronaves da família Airbus A320neo, mais eficientes em termos de consumo de combustível.

Christopher Anderson, professor da Cornell SC Johnson College of Business, afirmou que as companhias aéreas com frotas mais novas enfrentam pressão para gerar fluxo de caixa suficiente para a manutenção dessas aeronaves.

O problema não é novo, acrescentou Tom Fitzgerald, analista de ações da TD Cowen. "Mesmo antes da alta do preço do combustível, já existia uma dinâmica em que as companhias aéreas de custo ultrabaixo com aeronaves mais novas estavam reduzindo a utilização e enfrentando dificuldades devido a manter novos ativos caros parados", disse ele.

Segundo Fitzgerald, os aviões mais novos também acarretam custos de manutenção mais elevados. "A maior eficiência de combustível proporcionada pelos motores de nova geração teve como preço a durabilidade."

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