Por Rajesh Kumar Singh
CHICAGO, 20 Mar (Reuters) - Chefes de companhias aéreas americanas estão falando sobre a guerra EUA-Israel contra o Irã (link) de uma forma que muitos dos seus homólogos no estrangeiro não o fazem — demonstrando confiança nas tarifas e na demanda, (link) mesmo com o aumento dos custos de combustível e a perturbação da aviação global.
Para as maiores companhias aéreas dos EUA, que não fazem hedge (link) contra a alta dos preços do petróleo, o choque se manifesta principalmente na conta do combustível, com os preços do querosene de aviação quase dobrando (link) desde que o conflito começou no final de fevereiro.
Para muitas companhias aéreas na Europa (link) e Ásia (link), o conflito está também a perturbar horários, complicando operações e obscurecendo perspectivas, mesmo enquanto aumentam taxas adicionais ou tarifas.
As principais companhias aéreas norte-americanas destacaram esta semana, em uma conferência do setor, a demanda resiliente, com o presidente-executivo da United Airlines UAL.O, Scott Kirby, afirmando que o cenário de receita estava "realmente forte".
"Temos como meta este ano compensar integralmente o aumento dos preços dos combustíveis", disse ele na terça-feira, acrescentando que as passagens reservadas na última semana subiram de 15% a 20% e que as companhias aéreas poderiam, por enquanto, recuperar "100%" do aumento do preço do combustível.
A United também reduziu voos menos rentáveis, como alguns serviços no meio da semana, aos sábados e noturnos, pois a companhia aérea prefere deixar alguma demanda sem atender do que continuar operando rotas que dão prejuízo se o preço do combustível permanecer alto, disse Kirby.
A Delta Air Lines DAL.N também afirmou ter flexibilidade para reduzir a capacidade caso os preços dos combustíveis permaneçam elevados.
A American Airlines AAL.O e a Delta elevaram suas projeções de receita trimestral esta semana, apesar de ambas terem indicado um impacto negativo de aproximadamente US$ 400 milhões no primeiro trimestre devido ao aumento dos preços dos combustíveis. A Southwest Airlines LUV.N prevê uma expansão significativa de suas margens para o ano.
Mas a força da demanda nos EUA é parcialmente favorecida por uma base de comparação excepcionalmente fraca, após a demanda por viagens ter congelado abruptamente no ano passado e as reservas despencarem quando o presidente Donald Trump (link) revelou tarifas abrangentes (link), o que levou a maioria das companhias aéreas a retirar suas orientações.
Parte dessa confiança também reflete o quão apertado já estava o mercado norte-americano antes da alta dos preços dos combustíveis. Companhias aéreas de baixo custo (link) já vinham reduzindo rotas, deixando aeronaves em solo e desacelerando o crescimento após um longo período de lucros fracos (link).
As companhias aéreas norte-americanas planejam adicionar 2,8% mais assentos no segundo trimestre de 2026, mas isso inclui um corte de 10% na capacidade das companhias aéreas de ultra baixo custo, de acordo com a TD Cowen. Isso significa retirar alguns dos assentos mais baratos do mercado e dar às maiores companhias aéreas mais espaço para aumentar os preços sem desencadear uma guerra de preços mais ampla.
DIFERENTES PRESSÕES
Em muitas companhias aéreas na Europa e na Ásia, o tom tem sido mais cauteloso.
A Lufthansa da Alemanha LHAG.DE afirmou que suas perspectivas para 2026 eram incertas devido à incerteza geopolítica (link). A companhia aérea húngara Wizz Air WIZZ.L alertou que o conflito no Oriente Médio afetaria seu lucro líquido (link) no ano fiscal de 2026. A Air New Zealand AIR.NZ suspendeu (link) sua previsão de lucros para o ano inteiro e afirmou que cortará cerca de 5% dos voos até o início de maio.
Para algumas dessas companhias aéreas, a guerra não é apenas uma questão de combustível, mas também operacional. Suas redes de voos passam mais perto da zona de conflito, o que as torna mais vulneráveis a fechamentos de espaço aéreo, alterações de rota e incertezas na demanda, embora as tarifas entre a Ásia e a Europa tenham aumentado consideravelmente (link) no curto prazo, devido à perda de capacidade no Golfo.
A Air France-KLM AIRF.PA alertou (link) para custos e complexidade mais elevados devido a alterações de rota. A British Airways prorrogou (link) sua redução temporária nos horários de voos no Oriente Médio. A companhia aérea escandinava SAS disse que cancelaria (link) 1.000 voos em abril.
Os analistas estão, em grande parte, apoiando a visão mais otimista dos EUA. A Melius Research afirmou que as companhias aéreas já implementaram dois aumentos de tarifas de cerca de US$ 10 por trecho e que o cenário de demanda poderia suportar um aumento adicional de 5% a 7%.
Na quarta-feira, a TD Cowen elevou suas estimativas de lucros para 2026 para as seis maiores companhias aéreas dos EUA, citando uma demanda resiliente e uma capacidade maior do que a esperada de aumentar as tarifas para cobrir os custos mais altos de combustível.
LIMITES DE PREÇOS
Embora alguns viajantes tenham se apressado em reservar voos mais cedo do que o habitual para evitar tarifas mais altas, executivos de companhias aéreas norte-americanas afirmaram que os padrões de reserva foram em grande parte normais durante o trimestre de março.
Executivos da Delta descreveram a força da demanda como uma normalização e recuperação, e não como compras motivadas pelo medo ou pela urgência. Essa confiança ainda poderá ser testada se o conflito se prolongar e os custos mais altos de energia começarem a pressionar os orçamentos familiares e os gastos empresariais.
Por enquanto, porém, a demanda tem se mantido melhor nas grandes companhias aéreas norte-americanas, em parte porque elas dependem mais de viajantes premium (link), de contas corporativas e de membros de programas de fidelidade (link), que são tipicamente mais lentos para reduzir os gastos quando as tarifas aumentam.
O presidente-executivo da Delta, Ed Bastian, afirmou que a economia dos EUA permaneceu saudável no segmento de alto padrão, que ele descreveu como a principal base de clientes da Delta, ajudando a sustentar a demanda apesar da incerteza.
A Delta afirmou ter observado apenas um declínio modesto nas reservas com origem na Europa desde o início da guerra, mesmo com a demanda norte-americana por voos para a Europa permanecendo forte. "Quando você tem uma guerra no seu quintal, as pessoas tendem a ficar em casa", disse Bastian.