Por Liz Lee e Joe Cash
PEQUIM, 19 Mar (Reuters) - A China pediu na quinta-feira o fim do conflito no Golfo e disse que a segurança das vias navegáveis não deve ser perturbada, acrescentando que está disposta a trabalhar com o Sudeste Asiático para lidar com a escassez de energia, no momento em que os mercados de petróleo estão sofrendo com os choques no fornecimento.
Embora a guerra dos EUA e Israel contra o Irã tenha permitido que a China se apresentasse como a superpotência mais confiável, analistas dizem que ela desconfia das incertezas do mercado global de energia, principalmente porque precisa dos recursos que vem estocando desde o final dos anos 2000 para alimentar o setor de manufatura que sustenta sua economia.
Ajudar os 700 milhões de habitantes do Sudeste Asiático seria um alívio bem-vindo para os importadores de petróleo da região, após uma ordem de Pequim no início deste mês para proibir as exportações chinesas de diesel, gasolina e combustível de aviação. A China também está restringindo as exportações de fertilizantes, que dependem de subprodutos do refino de petróleo e gás, para proteger seu mercado interno.
"A situação no Oriente Médio abalou a segurança energética global", disse Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em uma coletiva de imprensa, quando perguntado se as nações do Sudeste Asiático haviam procurado a China para pedir ajuda.
"Os países envolvidos devem cessar imediatamente as operações militares para evitar que a instabilidade regional tenha um impacto maior no desenvolvimento econômico global", afirmou Lin, acrescentando que a segurança das vias navegáveis não deve ser "perturbada", sem citar o Estreito de Ormuz.
"A China está disposta a fortalecer a coordenação e a cooperação com os países do Sudeste Asiático para tratar conjuntamente das questões de segurança energética", acrescentou Lin.
Em uma ligação telefônica com seu colega britânico mais tarde na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse que "como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, China e Reino Unido têm a responsabilidade de manter a paz e a segurança internacional".
A guerra "ainda crescente" no Oriente Médio teve "impacto direto sobre a energia, as finanças, o comércio e a navegação internacional, e prejudica os interesses comuns de todos os países", declarou ele.
((Tradução Redação São Paulo))
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