Por Maya Gebeily e Khalil Ashawi
BEIRUTE, 18 Mar (Reuters) - A guerra no Líbano feriu ou matou o equivalente a uma sala de aula de crianças por dia e roubou do restante o senso de normalidade desde que começou há duas semanas, disse uma autoridade de alto escalão da agência da ONU para crianças.
De acordo com dados do Ministério da Saúde libanês, pelo menos 111 crianças foram mortas e 334 feridas em ataques israelenses no Líbano desde 2 de março, quando o grupo armado libanês Hezbollah se juntou à guerra regional disparando contra o território israelense. Isso equivale a quase 30 crianças por dia.
"É uma sala de aula de crianças por dia desde o início da guerra que é morta ou ferida no Líbano", disse o vice-diretor executivo do Unicef, Ted Chaiban, em uma entrevista na terça-feira.
As mortes de crianças no Líbano estão entre as 1.200 crianças mortas em toda a região nas últimas semanas - quase 200 no Irã, quatro em Israel e uma no Kuweit.
"Elas pagaram um preço terrível. E a primeira coisa que estamos pedindo é uma redução da tensão, um caminho político para essa guerra", disse Chaiban à Reuters em Beirute.
Israel afirma que não tem civis como alvo deliberado e que seus avisos dão aos civis tempo suficiente para sair antes dos ataques.
Os ataques israelenses já mataram mais de 900 pessoas no Líbano desde 2 de março, de acordo com dados libaneses, e as ordens de retirada do exército israelense deslocaram mais de 1 milhão de pessoas.
Entre elas estão 350.000 crianças. "Isso está afetando completamente a vida das crianças. Sem casa, sem escola, sem senso de normalidade", disse Chaiban.
Algumas crianças se abrigaram com suas famílias nas mesmas escolas públicas onde ficaram em 2024, durante a última guerra entre o Hezbollah e Israel.
As crianças que frequentam a escola há mais de cinco anos já tiveram seu aprendizado prejudicado pelo colapso financeiro do Líbano em 2019, pela explosão do porto de Beirute e pela pandemia da Covid-19 no ano seguinte.
Chaiban disse que é fundamental encontrar uma maneira de manter o aprendizado dos alunos - tanto os deslocados quanto aqueles cujas escolas foram transformadas em abrigos.
(Reportagem de Maya Gebeily e Khalil Ashawi)
((Tradução Redação São Paulo))
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