Por Yousef Saba e Florence Tan
16 Mar (Reuters) - A produção diária de petróleo dos Emirados Árabes Unidos caiu mais da metade devido ao conflito com o Irã (link) e ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, que forçou a gigante petrolífera estatal ADNOC a implementar paralisações generalizadas na produção, disseram duas fontes à Reuters.
A paralisação da navegação comercial através do ponto de estrangulamento marítimo crítico, normalmente utilizado para transportar cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo, provocou perturbações massivas nos mercados globais de energia (link).
Na manhã de segunda-feira, a ADNOC interrompeu (link) as operações de carregamento de petróleo no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, um importante centro de abastecimento e armazenamento de petróleo, devido a um ataque com drones. As operações haviam sido retomadas apenas no domingo, após um ataque ocorrido no fim de semana.
Os Emirados Árabes Unidos produziram pouco menos de 3,4 milhões de barris por dia em janeiro, ou mais de 3% da demanda global, de acordo com fontes secundárias que reportam à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), da qual os Emirados Árabes Unidos são o terceiro maior produtor.
PARALISAÇÃO GENERALIZADA DA PRODUÇÃO DE PETRÓLEO NO ORIENTE MÉDIO
As duas pessoas familiarizadas com o assunto disseram que as paralisações — fechamentos temporários de poços — afetaram a produção tanto em terra quanto no mar. Elas pediram para não serem identificadas devido à delicadeza da questão.
A ADNOC havia anunciado que estava reduzindo a produção offshore, e fontes afirmaram que toda a produção offshore está agora paralisada.
Antes da guerra, a ADNOC exportava pouco mais de 1 milhão de barris por dia de petróleo bruto de Upper Zakum, pouco menos de 700.000 barris por dia de Das Blend e cerca de 230.000 barris por dia do campo de Umm Lulu, segundo dados da Kpler sobre a produção offshore.
As exportações de petróleo bruto Murban em terra aumentaram para cerca de 1,5 milhão de barris por dia em fevereiro, ante 1,135 milhão de barris por dia em janeiro, segundo dados da Kpler.
A Arábia Saudita, maior produtora da OPEP, reduziu a produção em cerca de 20%, segundo a Reuters. O Iraque, segundo maior membro da OPEP, cortou a produção em cerca de 70%. Os cortes totais na produção de petróleo no Oriente Médio agora chegam a 7 milhões a 10 milhões de barris por dia, ou 7% a 10% da demanda global, de acordo com estimativas de analistas.