Por Tim Kelly e Jarrett Renshaw
TÓQUIO/PALM BEACH, 16 Mar (Reuters) - As demandas do presidente dos EUA, Donald Trump, por uma coalizão para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz pareceram não ter surtido efeito, nesta segunda-feira, quando os aliados Japão e Austrália disseram que não estão planejando enviar embarcações da Marinha ao Oriente Médio para escoltar navios através da hidrovia vital.
Com a guerra dos EUA e Israel contra o Irã criando turbulência em todo o Oriente Médio e abalando os mercados globais de energia em sua terceira semana, Trump insistiu no domingo que as nações que dependem muito do petróleo do Golfo têm a responsabilidade de proteger o estreito por onde transitam 20% da energia mundial.
Os mercados na Ásia reagiram com cautela, com o petróleo Brent LCOc1 subindo mais de 1% acima de US$104,50 e os mercados de ações regionais, em sua maioria, mais fracos em meio a preocupações sobre o risco para as instalações de petróleo do Oriente Médio e após a solicitação de Trump para que os aliados se envolvam mais.
"Estou pedindo que esses países entrem e protejam seu próprio território, porque é o território deles", declarou Trump aos repórteres a bordo do Air Force One, no caminho da Flórida para Washington. "É o lugar de onde eles obtêm sua energia."
Trump disse que seu governo já entrou em contato com sete países, mas não identificou os países. Ele postou em rede social no fim de semana que esperava que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros participassem.
A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, uma firme apoiadora de Trump, disse na segunda-feira que seu país, limitado por sua constituição que renuncia à guerra, não tem planos de enviar embarcações navais para escoltar navios no Oriente Médio, de onde obtém 95% de seu petróleo.
"Não tomamos nenhuma decisão sobre o envio de navios de escolta. Continuamos a examinar o que o Japão pode fazer de forma independente e o que pode ser feito dentro da estrutura legal", afirmou Takaichi ao Parlamento.
A Austrália, outro importante aliado de segurança dos EUA no Indo-Pacífico, que também depende muito de combustíveis produzidos com petróleo do Oriente Médio, disse que também não enviará navios de guerra para ajudar na reabertura do estreito.
"Sabemos como isso é incrivelmente importante, mas não é algo que nos foi solicitado ou para o qual estamos contribuindo", declarou Catherine King, membro do gabinete do primeiro-ministro Anthony Albanese, em uma entrevista à emissora estatal ABC.
TRUMP PODE ADIAR VISITA A PEQUIM SEM APOIO DA CHINA
Trump disse ao Financial Times no domingo que esperava que a China ajudasse a desbloquear o estreito antes de sua reunião agendada com o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim, no final deste mês, e poderia adiar sua viagem se a China não fornecesse assistência.
"Acho que a China também deveria ajudar, porque a China obtém 90% de seu petróleo do estreito", afirmou Trump. "Podemos adiar", disse ele em referência à sua visita se a China não oferecer apoio no Golfo.
O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Trump também aumentou a pressão sobre os aliados europeus para que ajudem a proteger o estreito, alertando que a Otan enfrentará um futuro "muito ruim" se seus membros não ajudarem Washington.
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia discutirão na segunda-feira o reforço de uma pequena missão naval no Oriente Médio, mas não se espera que decidam estender seu papel ao Estreito de Ormuz, segundo diplomatas e autoridades.
(Reportagens de Maya Gebeily em Dubai, Emily Rose em Jerusalém e Jarrett Renshaw em Palm Beach, Flórida)
((Tradução Redação São Paulo))
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