Por Maya Gebeily e Emily Rose e Jarrett Renshaw
PALM BEACH, FLÓRIDA/DUBAI/JERUSALÉM, 15 Mar (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou mais ataques ao principal centro de exportação de petróleo do Irã, a Ilha Kharg, e disse não estar pronto para um acordo com Teerã para acabar com a guerra que fechou o vital Estreito de Ormuz e gerou caos nos mercados globais de energia.
Com a guerra entre EUA e Israel contra o Irã tendo entrado em sua terceira semana, Trump disse que os ataques dos EUA haviam "demolido totalmente" grande parte da ilha e advertiu sobre mais ataques, dizendo à NBC News no sábado: "Podemos atingi-la mais algumas vezes só por diversão."
Os comentários marcaram uma escalada acentuada de Trump, que havia dito anteriormente que os EUA tinham como alvo apenas as instalações militares em Kharg, e representaram um golpe nos esforços diplomáticos para acabar com uma guerra que se espalhou pelo Oriente Médio e já matou mais de 2.000 pessoas, a maioria no Irã e no Líbano.
Washington deixou de lado as tentativas dos aliados do Oriente Médio de iniciar conversações, disseram três fontes à Reuters, e os Guardas Revolucionários do Irã disseram no domingo que haviam disparado mais mísseis contra Israel e três bases dos EUA na região.
Trump, que fez uma série de exigências variadas, incluindo a participação na escolha do líder do Irã e o fim de seus programas nucleares e de mísseis balísticos, disse à NBC News que Teerã parece estar pronto para fazer um acordo para acabar com a luta, mas que "os termos ainda não são bons o suficiente".
Em sua entrevista à NBC, Trump levantou a possibilidade de que o líder supremo Mojtaba Khamenei pudesse ter sido morto, mas o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse que Khamenei está com plena saúde e gerenciando a situação.
GUERRA E CRISE ENERGÉTICA PARECEM PERSISTIR
Sem um fim claro à vista, a capacidade do Irã de bloquear o tráfego pelo Estreito de Ormuz, por onde passar 20% do petróleo global e do gás natural liquefeito, surgiu como uma ameaça decisiva para a economia global.
A passagem foi efetivamente fechada para a maior parte da navegação mundial desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, no início de uma intensa campanha de bombardeio que atingiu milhares de alvos em todo o país.
Motjaba Khamenei, que assumiu o cargo de líder supremo depois que seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto no primeiro dia dos ataques, disse que o Estreito de Ormuz deve permanecer fechado.
A Agência Internacional de Energia disse na semana passada que o fechamento da passagem estreita ao longo da costa sul do Irã provocou a maior interrupção nos mercados globais de petróleo da história e deve cortar cerca de 8% dos suprimentos globais em março.
O centro global de reabastecimento de navios de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, retomou as operações de carregamento de petróleo no domingo, informou uma fonte do setor baseada em Fujairah.
Com os preços do petróleo bruto acima de US$ 100 por barril e com previsão de aumento ainda maior na próxima semana, a questão pairou sobre o Partido Republicano de Trump, que enfrenta um grande teste nas eleições de meio de mandato em novembro.
O próprio Trump descartou as preocupações com o aumento dos preços para os consumidores norte-americanos, dizendo que eles cairão rapidamente. Mas ele pediu que China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros países enviem navios de guerra ao Estreito de Ormuz para garantir a passagem dos navios.
A França está tentando montar uma coalizão para proteger o estreito assim que a situação de segurança se estabilizar, enquanto a Reino Unido está discutindo uma série de opções com aliados para garantir a segurança do transporte marítimo, disseram autoridades.
No entanto, nenhum dos países mencionados deu qualquer indicação imediata de movimentação enquanto os combates continuarem.
Araqchi disse ao seu colega francês que os países devem se abster de qualquer coisa que possa aumentar o conflito. Ele também disse que o Irã responderia a qualquer ataque às suas instalações de energia.