Por Lefteris Papadimas
ATENAS, 13 Mar - A Europa deve agir rapidamente para conter as pressões e proteger suas economias e cidadãos, caso os altos preços da energia persistam por um período prolongado devido à guerra no Oriente Médio, afirmou nesta sexta-feira o presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis.
Os preços do petróleo subiram cerca de 37% desde o início da guerra, intensificando as preocupações com o impacto inflacionário e pressionando os governos europeus a ajudarem famílias e empresas.
Além de presidente do Eurogrupo, que reúne os ministros das Finanças da zona do euro, Pierrakakis é ministro das Finanças da Grécia. Segundo ele, as consequências de um conflito prolongado inevitavelmente se refletiriam nos mercados de energia, nos custos de transporte, nos mercados financeiros e, em última instância, nos preços ao consumidor.
"É por isso que é importante que a Europa aja de forma rápida e coordenada para conter as pressões e proteger as nossas empresas, os nossos cidadãos e as nossas economias", disse ele à Reuters, em resposta a perguntas enviadas por e-mail.
A União Europeia está analisando os impostos sobre a energia, as taxas de rede e os custos do carbono como possíveis áreas para medidas de curto prazo que visem aliviar a pressão sobre as indústrias, afetadas pelos elevados preços da energia.
França, Grécia e Polônia introduziram esta semana tetos para os preços do petróleo e restrições às margens de lucro, mas as finanças apertadas em algumas das principais economias significam que seu poder de fogo é limitado.
Pierrakakis afirmou que os recentes limites de lucro impostos pela Grécia aos combustíveis e aos produtos alimentícios não terão um "impacto fiscal direto significativo no orçamento". De acordo com o ministro, até o momento não há indícios de que o turismo e os investimentos -- importantes motores da recuperação econômica da Grécia -- tenham sido afetados.
ECONOMIA GREGA "FORTE E RESILIENTE"
Ele afirmou ainda que o Orçamento da Grécia levou em consideração o pior cenário possível para todo o ano.
"Mesmo nessas condições, o crescimento econômico permaneceria próximo de 2%, o que demonstra que a economia grega continua forte e resiliente", afirmou.
Pierrakakis afirmou que ninguém pode prever com certeza quanto tempo a crise atual irá durar, mas que a economia europeia "tem a capacidade e a resiliência para absorver tais choques".
A UE planeja investir fortemente em projetos de energia limpa, infraestruturas e redes elétricas, e está considerando financiamento adicional para pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) para reduzir sua dependência energética das importações de petróleo.
Pierrakakis pediu medidas mais rápidas para fortalecer a competitividade da UE.
(Reportagem de Lefteris Papadimas)
((Tradução Redação São Paulo))
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