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EXCLUSIVO-Fontes dizem que a Rússia se prepara para um corte de 10% nos gastos "não sensíveis" em 2026.

Reuters11 de mar de 2026 às 16:43
  • Os cortes excluirão gastos militares e de assistência social, com foco em despesas não essenciais.
  • A alta dos preços do petróleo devido à guerra com o Irã afetará as decisões orçamentárias.
  • O Ministério das Finanças ainda não decidiu a extensão dos cortes.
  • A priorização dos gastos está em discussão.

Por Darya Korsunskaya

- O governo russo está preparando um possível corte de 10% em todos os gastos "não sensíveis" no orçamento deste ano, disseram fontes à Reuters, mas a decisão final dependerá da sustentabilidade da alta do preço do petróleo provocada pela guerra com o Irã (link).

À medida que a guerra na Ucrânia (link) entra em seu quinto ano, a Rússia enfrenta um duplo golpe: a queda na arrecadação orçamentária com a venda de energia e a desaceleração econômica, que afeta a receita tributária de outros setores da economia.

O governo planeja destinar mais dinheiro para o fundo de reserva orçamentária (link) para evitar seu possível esgotamento. A medida poderia ser acompanhada por um corte correspondente nos gastos.

"O Ministério das Finanças informou às agências responsáveis pela distribuição dos fundos orçamentários que é necessário cortar gastos. Agora, elas estão analisando o que cortar", disse uma das fontes, que falou sob condição de anonimato devido à delicadeza da situação.

OS CORTES NÃO SERÃO 'GERAIS'

Duas das quatro fontes próximas ao governo, que têm acesso às comunicações do Ministério das Finanças, mencionaram a redução de 10%, enquanto as outras duas disseram que o corte está sendo discutido, sem especificar o valor.

O Ministério das Finanças disse à Reuters, em comentários sobre esta matéria, que está discutindo medidas para priorizar os gastos orçamentários com outros ministérios. Andrei Gangan, chefe do departamento de política monetária do banco central, afirmou que uma otimização dos gastos só pode ser bem-vinda.

O ministério acrescentou que as decisões não afetarão os gastos com o que a Rússia denomina sua "operação militar especial" na Ucrânia, nem as obrigações sociais para com os cidadãos russos, mas ajudarão a evitar o aumento da dívida e a manter a estabilidade das finanças públicas a longo prazo.

As fontes disseram que os cortes não serão generalizados e pouparão gastos militares politicamente sensíveis, bem como gastos socialmente sensíveis, como salários de funcionários do setor público ou pagamentos de assistência social.

"Isso sempre é feito otimizando despesas não essenciais. Alguns novos projetos serão suspensos, como construções ou reparos de estradas. É provável que esses projetos sejam considerados para cortes", disse outra fonte.

A população comum da Rússia tem sido afetada pela inflação crescente, mas ainda não sente os efeitos generalizados de uma desaceleração econômica, desencadeada pelas altas taxas de juros, e os cortes nos gastos públicos ainda não causaram demissões em massa. A situação econômica é agravada pelas sanções ocidentais, que prejudicam as vendas globais de energia da Rússia.

Nos dois primeiros meses de 2026, as receitas do orçamento energético da Rússia caíram pela metade, enquanto as receitas totais recuaram 11%. A Rússia, que teve de aumentar a estimativa do déficit orçamentário (link) duas vezes no ano passado, planeja um déficit de 1,6% do produto interno bruto em 2026.

Aguardando mudanças nos preços do petróleo

A situação se inverteu drasticamente após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz (link) que levou a uma disparada dos preços do petróleo, com o aumento da demanda por petróleo russo, e os EUA até mesmo considerando o levantamento das sanções (link) contra a Rússia.

A terceira fonte afirmou que o crescimento do preço do petróleo (link) não será sustentável a longo prazo e a atual situação orçamentária exige cortes de gastos, independentemente das flutuações de curto prazo do preço do petróleo. As fontes enfatizaram que ainda não há uma decisão.

"Ainda não foram tomadas decisões sobre a extensão dos cortes de gastos, pois todos estão aguardando para ver como os preços do petróleo irão se comportar em decorrência do conflito no Irã", disse a quarta fonte.

Em fevereiro, o presidente russo Vladimir Putin realizou uma reunião noturna com seu governo no Kremlin para discutir a situação orçamentária. Segundo o primeiro-ministro Mikhail Mishustin, a reunião durou muitas horas.

Após esta reunião, o Ministro das Finanças, Anton Siluanov, afirmou que o governo irá reduzir o chamado preço "limite" do petróleo, atualmente em US$ 59, acima do qual as receitas energéticas fluem (link) para o fundo de reserva, alinhando-o à realidade.

Em fevereiro, o preço médio do petróleo russo, calculado para fins de tributação, estava 24% abaixo do preço de corte, o que significa que o governo teve que recorrer ao Fundo Nacional de Riqueza para cobrir o déficit.

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