
Por Angelo Amante e Giuseppe Fonte
ROMA, 11 Mar (Reuters) - A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, fez nesta quarta-feira sua mais forte crítica à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, descrevendo-a como parte de uma tendência crescente e perigosa de intervenções "fora do escopo do direito internacional".
Suas falas no Parlamento foram feitas após repetidas acusações da oposição de que seu governo de direita havia sido brando demais com aliados. A maioria das outras nações europeias, com a notável exceção da Espanha, não fez críticas diretas aos ataques de EUA e Israel, em grande parte pedindo moderação.
Meloni -- que tem laços estreitos com o presidente dos EUA, Donald Trump -- também disse que não se deve permitir que o Irã desenvolva armas nucleares, pois isso acabaria com a estrutura internacional de não proliferação com "repercussões dramáticas para a segurança global", deixando a Itália e a Europa expostas a uma possível ameaça nuclear de Teerã.
EUA e Israel trocavam ataques aéreos com o Irã em todo o Oriente Médio enquanto a guerra se estendia para seu 12º dia, um conflito que interrompeu o fluxo de um quinto dos suprimentos de petróleo e gás do mundo.
Ao discursar no Parlamento sobre a crise, Meloni traçou paralelos entre o conflito no Oriente Médio e a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que, segundo ela, desencadeou uma desestabilização global mais ampla.
"É nesse contexto de crise estrutural no sistema internacional, no qual as ameaças estão se tornando cada vez mais assustadoras e as intervenções unilaterais fora do âmbito do direito internacional estão se multiplicando, que também devemos colocar a intervenção norte-americana e israelense contra o regime iraniano", afirmou ela ao Senado.
Meloni disse que Roma estava fornecendo sistemas de defesa aérea para os países do Golfo atingidos por ataques de Teerã.
"Isso não é apenas porque essas são nações amigas e parceiras estratégicas da Itália, mas também porque há dezenas de milhares de cidadãos italianos nessa área que devemos proteger, sem mencionar o fato de que há cerca de 2.000 soldados italianos estacionados no Golfo."
((Tradução Redação São Paulo))
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