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Bombardeios contra Irã se intensificam no sexto dia de guerra

Reuters5 de mar de 2026 às 13:40

Por Parisa Hafezi e Steven Scheer

- A campanha de EUA e Israel contra o Irã entrou em seu sexto dia na quinta-feira com o que os moradores descreveram como bombardeios ainda mais intensos, enquanto o Irã prometeu retaliar em qualquer lugar por um ataque dos EUA a um navio a milhares de quilômetros da zona de combate.

Dentro do Irã, o adiamento repentino de três dias de luto pelo líder supremo Ali Khamenei, assassinado, interrompeu os planos aparentes de nomear rapidamente o filho linha-dura de Khamenei como seu sucessor.

“Hoje está pior do que ontem. Eles estão atacando o norte de Teerã. Não temos para onde ir. É como uma zona de guerra. Ajudem-nos”, disse Mohammadreza, de 36 anos, por telefone de Teerã, com a voz trêmula, enquanto explosões ecoavam do que Israel descreveu como sua mais recente série de ataques a alvos do governo iraniano.

Embora alguns mercados financeiros internacionais tenham se recuperado das quedas no início da semana, as consequências econômicas da campanha se intensificaram, com países ao redor do mundo sem acesso a um quinto do abastecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.

O Irã prometeu se vingar do ataque com torpedos dos EUA a um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka, que matou mais de 80 marinheiros a milhares de quilômetros da zona de combate. O ministro das Relações Exteriores do Irã disse que o navio foi atingido sem aviso prévio em águas internacionais e que Washington “se arrependeria amargamente” do precedente que estabeleceu.

O corpo do líder supremo aiatolá Ali Khamenei, morto nas primeiras horas da campanha aérea dos EUA e Israel no primeiro assassinato de um governante de um país por um ataque aéreo, seria velado em uma sala de oração em Teerã a partir da noite de quarta-feira, dando início a três dias de luto.

Mas o velório, que deveria atrair milhares de pessoas às ruas, foi abruptamente adiado por tempo indeterminado pouco antes de começar.

Nas horas que antecederam o anúncio do adiamento, autoridades iranianas disseram que estavam prestes a nomear o sucessor de Khamenei e que o principal candidato era seu filho Mojtaba, um poderoso linha-dura cuja escolha seria um forte gesto de desafio.

Autoridades iranianas não deram nenhuma razão para o adiamento do velório, mas uma fonte disse à Reuters que isso foi motivado em parte pelo medo de assassinato dos participantes do evento enquanto aviões de guerra israelenses e norte-americanos permanecem nos céus.

Outra fonte afirmou que seria lógico esperar para anunciar o novo líder supremo até depois do enterro do ancião Khamenei, embora, dadas as condições de guerra, fosse possível que um sucessor ainda fosse nomeado antes do velório.

As cerimônias fúnebres de líderes políticos e religiosos xiitas, especialmente aqueles considerados mártires, são conhecidas por demonstrações públicas de paixão.

Anunciar o jovem Khamenei como sucessor durante o período de luto permitiria que ele assumisse o poder enquanto os seguidores de seu pai estivessem nas ruas, angariando apoio e tornando mais difícil para qualquer oponente montar um desafio.

Israel afirmou que consideraria qualquer substituto de Khamenei que continuasse com políticas hostis um alvo imediato a ser eliminado.

Israel diz que seu objetivo na guerra é derrubar os governantes clericais do Irã. Washington afirma que seu objetivo é impedir que Teerã seja capaz de projetar força além de suas fronteiras, mas também pediu aos iranianos que se levantem e tomem o poder.

Muitos iranianos comemoraram abertamente a morte do líder supremo, cujas forças de segurança mataram milhares de manifestantes antigovernamentais há poucas semanas, na pior agitação interna desde a era da Revolução Islâmica do Irã em 1979.

((Tradução Redação São Paulo))

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