
Por Jonathan Saul e Anna Hirtenstein e Yousef Saba
4 Mar (Reuters) - A guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irã se ampliou nesta quarta-feira, após ataque norte-americano atingir um navio de guerra iraniano ao largo do Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz pelo quinto dia consecutivo e interrompeu o fluxo vital de petróleo e gás do Oriente Médio.
O ataque do submarino norte-americano ao navio iraniano ocorreu em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, promete fornecer seguro e escolta naval aos navios que exportam petróleo e gás do Oriente Médio, em uma tentativa de conter a alta dos preços no setor energético.
Pelo menos 200 navios, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, assim como navios de carga, permaneceram ancorados em águas abertas ao largo da costa dos principais produtores do Golfo como Iraque, Arábia Saudita e Catar, segundo estimativas da Reuters baseadas em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic.
Centenas de outras embarcações permaneceram fora de Ormuz, sem conseguir chegar aos portos, mostraram dados de navegação. A passagem é uma artéria fundamental para cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e GNL.
Pelo menos oito embarcações foram impactadas na área desde o início do conflito com o Irã, no sábado. Nesta quarta-feira, o navio porta-contêiner Safeen Prestige, com bandeira de Malta, foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção ao extremo norte do Estreito de Ormuz, levando a tripulação a abandonar o navio, informou a agência naval britânica UKMTO.
O petroleiro Libra Trader, das Ilhas Marshall, e o graneleiro Gold Oak, com bandeira do Panamá, também sofreram danos menores a cerca de 7 a 10 milhas náuticas do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, na madrugada desta quarta-feira, informou a UKMTO posteriormente.
O Libra Trader sofreu uma forte explosão e foi atingido por detritos de um projétil desconhecido, enquanto o Gold Oak foi atingido por um projétil, embora nenhum dos navios tenha registrado danos graves ou ferimentos na tripulação, acrescentou a agência.
O Catar vai interromper totalmente a liquefação de gás nesta quarta-feira e não deve retornar à produção e às exportações normais por pelo menos um mês, disseram à Reuters duas fontes familiarizadas com o assunto. A gigante do gás QatarEnergy declarou força maior nos embarques de GNL após ataques às suas instalações de produção.
O Iraque reduziu sua produção de petróleo, já que o país ficou sem espaço de armazenamento, incapaz de carregá-lo em petroleiros. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuweit também enfrentavam dificuldades para carregar petróleo, mas ainda não está claro se eles reduziram a produção.
Apesar do impasse, uma viagem rara ocorreu na terça-feira, quando o petroleiro Suezmax Pola navegou pelo Estreito de Ormuz até os Emirados Árabes Unidos para carregar petróleo bruto, de acordo com fontes do setor e dados de rastreamento de navios da LSEG.
O Pola desligou seu transponder AIS no final do dia 2 de março, ao se aproximar do estreito, e reapareceu no dia seguinte ao largo de Abu Dhabi.
Trump disse na terça-feira que instruiu a Corporação Financeira Internacional de Desenvolvimento dos EUA a fornecer seguro contra riscos políticos e garantias financeiras para o comércio marítimo no Golfo.
"Não importa o que aconteça, os Estados Unidos garantirão o livre fluxo de energia para o mundo", escreveu Trump nas redes sociais.
Os custos do seguro contra riscos comerciais de guerra aumentaram pelo menos cinco vezes nos últimos dias.
"As taxas aumentaram em relação aos níveis aos quais os proprietários e fretadores estão acostumados", disse Angus Blayney, da corretora de seguros Gallagher.
Os preços do petróleo caíram nesta quarta-feira, mas subiram 12% desde o início da guerra, no sábado, quando os ataques dos EUA e de Israel ao Irã interromperam o abastecimento do Oriente Médio.
"Oferecer proteção a todos os petroleiros que operam em áreas atualmente ameaçadas pelo Irã não é realista, pois isso exigiria um número muito alto de navios de guerra e outros recursos militares", disse Jakob Larsen, diretor de segurança e proteção da associação de transporte marítimo Bimco.
(Reportagem de Jonathan Saul; Reportagem adicional de Renee Maltezou)
((Tradução Redação Brasília))
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