
Por Leticia Fucuchima
SÃO PAULO, 3 Mar (Reuters) - Após finalizar a integração do portfólio da AES, a Auren Energia AURE3.SA vê espaço para continuar ampliando os ganhos desse processo ao longo de 2026 e avalia estar preparada para aproveitar, em paralelo, novas frentes de crescimento, como o leilão de baterias, disseram executivos da companhia à Reuters.
A companhia de energia elétrica controlada por Votorantim e CPP Investments divulgou nesta terça-feira um lucro líquido de R$354,7 milhões no quarto trimestre de 2025, revertendo a cifra negativa de R$363,6 milhões registrada um ano antes.
Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da geradora somou R$1 bilhão, alta de 13,5% na base anual.
O resultado trimestral foi beneficiado pela marcação a mercado dos contratos futuros de energia, em função dos preços mais altos frente aos do ano anterior, além da contabilização de uma indenização referente a investimentos prudentes na CESP, com impacto positivo de R$142,8 milhões no Ebitda.
Com isso, a Auren fechou 2025 com prejuízo de R$557,9 milhões, contra R$32,7 milhões negativos um ano antes, enquanto o Ebitda ajustado subiu 19,9%, para R$3,97 bilhões.
Segundo o presidente-executivo, Fabio Zanfelice, a companhia mostrou um desempenho "espetacular" no ano passado, sustentado pela plena entrada em operação de projetos solares e eólicos e por iniciativas ligadas à incorporação dos ativos de geração adquiridos da AES, o que permitiu capturar sinergias de custos e elevar a disponibilidade dos parques.
O aumento de 20% no Ebitda foi possível apesar dos prejuízos com os cortes de geração que afetam os ativos eólicos e solares da Auren, observou. No ano inteiro, o impacto financeiro do "curtailment" para a empresa foi de R$530 milhões.
"Mas quase metade desse número conseguimos cobrir com a flexibilidade do nosso portfólio", disse ele, citando ganhos de modulação obtidos com a variação horária de preços de energia. Considerando esses ganhos, o impacto líquido negativo dos cortes de geração foi de R$333,6 milhões.
Para 2026, Zanfelice observou que a Auren não deve se beneficiar tanto da alta de preços de curto prazo da energia no Brasil, já que, diferentemente de geradoras como Axia e Copel, não tem muita energia descontratada no portfólio até 2027.
Mas a empresa se favorece da tendência de preços mais sustentados também no médio e longo prazos, além da maior volatilidade do mercado, que estimula as atividades de trading de energia.
"A gente não vai surfar a onda da subida do preço no curto prazo porque (o portfólio) já está contratado, então é um ano que não tem muita alavanca. Mas a comercializadora continua ativa, e continua fazendo resultado."
BATERIAS
Em relação a novas oportunidades de crescimento, Zanfelice afirma que a Auren está estudando os leilões de capacidade, com mais foco no futuro certame para baterias.
"O leilão de hidrelétricas a gente estuda também, mas está mais focado hoje no tema de baterias, porque é um campo novo para a companhia... de fato, quem dominar mais rápido esse mercado vai colher benefícios no futuro."
"A alavancagem já está estabilizada, não é impeditivo para a companhia continuar olhando oportunidades", acrescentou.
Segundo o vice-presidente financeiro, Mateus Ferreira, a alavancagem da Auren, que atingiu 4,8 vezes a dívida líquida sobre Ebitda ao fim de 2025, já teve uma redução importante de quase 1 vez ante 2024 e deve se manter estável ao longo de 2026. A expectativa é de uma diminuição mais forte a partir de 2027, se aproximando da meta de 3 a 3,5 vezes.