
Por Marie Mannes e Greta Rosen Fondahn e Nick Carey
ESTOCOLMO/LONDRES, 3 Mar (Reuters) - Comprar aço caro fabricado com uma tecnologia emergente (link) alimentado por hidrogênio verde, que ainda praticamente não existe?
Essa é a perspectiva que se apresenta às montadoras europeias, já sob pressão da intensificação da (link) concorrência chinesa, no âmbito dos planos da União Europeia que visam a fortalecer a indústria siderúrgica do bloco e, ao mesmo tempo, atingir as suas metas ambientais (link).
Em dezembro, a UE mudou (link) para uma redução de 90% nas emissões de CO₂ para todos os carros novos a partir de 2035, em comparação com a meta anterior de 100% - diminuindo (link) uma proibição total de veículos com motor de combustão interna, à qual a indústria se opunha devido à lentidão na (link) adoção de carros elétricos.
UE quer impulsionar o setor siderúrgico europeu
Segundo a nova proposta, vinculada à Lei de Aceleração Industrial da UE (link) e que será apresentada em 4 de março, exige que as montadoras, responsáveis por um quinto da demanda europeia de aço, compensem os 10% restantes com aço de baixo carbono e combustíveis alternativos.
O problema? Os projetos europeus de "aço verde" têm sofrido atrasos cada vez maiores, (link) interrompidos ou cancelados, já que o hidrogênio verde produzido com o uso de energia renovável está se mostrando caro (link) e ainda não está disponível em larga escala.
Quando disponível, espera-se que esse aço custe cerca de um terço a mais do que o produto convencional, de acordo com a Stegra, empresa que aposta exclusivamente no aço verde (link).
Diante desse cenário econômico, siderúrgicas como a ArcelorMittal MT.LU e a Salzgitter SZGG.DE estão mudando de rumo (link) para a produção baseada em sucata (link). Outras empresas, principalmente a Thyssenkrupp TKAG.DE, estão renegociando os termos dos subsídios (link) com Bruxelas.
Dados do Leadership Group for Industry Transition — uma iniciativa que reúne governos e empresas globais — mostraram que a capacidade anual planejada de produção de aço verde atingirá cerca de 28 milhões de toneladas até 2050. Cálculos da Reuters, no entanto, indicam que apenas um terço dessa capacidade está em construção. Cerca de 18 milhões de toneladas da capacidade planejada estariam na Europa.
"Não temos hidrogênio disponível, pelo menos não na escala necessária", afirmou Genuino Christino, diretor financeiro da ArcelorMittal (link), à Reuters no mês passado.
A associação automobilística alemã criticou o plano da UE.
"Isso significa que nossa indústria está mais uma vez dependente de desenvolvimentos sobre os quais não tem influência", disse a presidente da VDA, Hildegard Mueller, em dezembro.
Quase uma dúzia de executivos e especialistas dos setores automotivo e siderúrgico disseram à Reuters que esperam que Bruxelas apresente políticas para criar um novo mercado para o aço de baixa emissão e incentivar a demanda. A maioria prevê apenas detalhes limitados na proposta inicial, com elementos-chave sendo adiados.
"Há muita confusão entre as pessoas após a proposta da Comissão, tentando entender... o que é realista, como seria o mercado na prática", disse Chris Heron, secretário-geral da E-Mobility Europe.
DEFINIÇÃO 'VELHO OESTE'
Outro desafio é a ausência de uma definição consensual de aço verde, ou de baixo carbono. Um executivo do setor siderúrgico descreveu o mercado atual como um "faroeste". A Reuters constatou que as empresas utilizam termos, métricas e limites variados para comercializar seus produtos com menores emissões.
A substituição de altos-fornos a carvão por sistemas de ferro de redução direta (DRI) à base de hidrogênio e fornos de arco elétrico (EAF) envolve investimentos de bilhões de euros.
Muitas siderúrgicas estão, em vez disso, adotando uma estratégia mais cautelosa e gradual, centrada nos fornos elétricos a arco, que podem inicialmente funcionar com sucata antes de passarem para o DRI à base de hidrogênio.
Os fornos elétricos a arco alimentados com sucata emitem muito menos carbono do que os altos-fornos, mas muitos participantes do setor afirmam que eles não podem ser a solução a longo prazo porque a sucata de alta qualidade é limitada.
As montadoras também estão se adaptando.
A Volvo Car VOLCARb.ST, que tinha como objetivo começar a usar aço à base de hidrogênio a partir de 2027 da SSAB SSABa.ST, concordou em começar a usar aço livre de combustíveis fósseis a partir de sucata, passando posteriormente para o fornecimento à base de hidrogênio assim que a produção estiver em funcionamento.
"Acreditamos que haverá demanda", disse Christian Levin, presidente-executivo da Scania, da Traton 8TRA.DE. "(Mas) Ainda não estamos oferecendo o produto comercialmente e ainda não o estamos comprando porque ainda não está disponível."