
3 Mar (Reuters) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a guerra contra o Irã “não vai durar anos”, enquanto o conflito se alastrava com Israel atacando novamente a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, no Líbano, e o Irã atacando os Estados do Golfo que abrigam bases norte-americanas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, que lançou ataques contra o Irã juntamente com Israel no sábado, inicialmente previu que a guerra duraria de quatro a cinco semanas, mas desde então tem procurado justificar uma guerra ampla e sem prazo determinado.
Enquanto isso, o Irã lançou ataques com mísseis e drones não apenas contra Israel e as forças norte-americanas, mas também contra uma série de países da região aliados aos EUA, paralisando o transporte de energia vital globalmente do Golfo, juntamente com centenas de rotas aéreas movimentadas de curta e longa distância.
Netanyahu rejeitou a ideia de que o conflito duraria anos, como as guerras anteriores na região.
“Eu disse que poderia ser rápido e decisivo. Pode levar algum tempo, mas não vai levar anos. Não é uma guerra sem fim”, declarou Netanyahu no programa “Hannity”, da Fox News, na segunda-feira.
O tenente-coronel israelense Nadav Shoshani disse em uma coletiva online que a duração da campanha militar pode mudar, dependendo dos desdobramentos, acrescentando: “Preparamos um escopo geral de semanas”.
Questionado se Israel poderia enviar forças terrestres ao Irã, Shoshani afirmou que isso era improvável.
Explosões abalaram prédios em Tel Aviv enquanto as defesas aéreas interceptavam mísseis iranianos.
Israel atacou o complexo da emissora estatal iraniana IRIB em Teerã e militantes do Hezbollah em cidades do Líbano.
As Forças Armadas israelenses disseram que enviaram mais tropas para o sul do Líbano e as posicionaram em pontos próximos à fronteira como parte da “defesa avançada”. Após o cessar-fogo de novembro de 2024 com o Hezbollah, uma milícia xiita que atua como força de representação iraniana, Israel manteve tropas terrestres no Líbano em cinco pontos estratégicos.
Na madrugada de terça-feira, dois drones, aparentemente do Irã, atingiram a embaixada dos EUA em Riad, causando pequenos danos e provocando um incêndio, e pelo menos mais oito drones foram interceptados antes de chegarem à cidade, informou o Ministério da Defesa da Arábia Saudita.
Centenas de civis foram mortos no Irã, Israel, Líbano e outras nações desde que EUA e Israel iniciaram a guerra ao matar o líder supremo iraniano Ali Khamenei em um ataque aéreo no sábado.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que se reporta ao líder supremo, disse que sua Marinha destruiu o principal prédio de comando e quartel-general de uma base aérea norte-americana no Barein, no que descreveu como “Operação Promessa da Verdade 4”.
Segundo a Guarda, 20 drones e três mísseis atingiram os alvos pretendidos na base na região de Sheikh Isa.
O Departamento de Estado dos EUA e a Casa Branca não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou na segunda-feira que “os golpes mais duros ainda estão por vir dos militares norte-americanos”.
Questionado sobre por quanto tempo ele esperava que os Estados Unidos se envolvessem no Irã, Rubio disse: “Acreditamos que os objetivos que estabelecemos para esta missão, a destruição das capacidades de mísseis balísticos (do Irã), tanto de lançamento quanto de fabricação, podem ser alcançados sem forças terrestres... No momento, não estamos preparados para enviar forças terrestres. Mas, obviamente, o presidente tem essas opções e não vai descartar nada.”
(Reportagem de Jonathan Allen em Nova York, Kanishka Singh e Ismail Shakil em Washington, Enas Alashray no Cairo)
((Tradução Redação São Paulo))
REUTERS TR