
CAIRO, 2 Mar (Reuters) - Uma autoridade de alto escalão da Guarda Revolucionária Iraniana disse nesta segunda-feira que o Estreito de Ormuz está fechado e que o Irã vai disparar contra qualquer navio que tentar passar, informou a mídia iraniana.
Esta é a advertência mais explícita do Irã desde que informou aos navios que fecharia a rota de exportação no sábado, medida que ameaça sufocar um quinto do fluxo global de petróleo e elevar drasticamente os preços do petróleo bruto.
"O estreito (de Ormuz) está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da marinha regular vão incendiar esses navios", disse Ebrahim Jabari, assessor sênior do comandante-chefe da Guarda, em declarações divulgadas pela mídia estatal.
O estreito é a rota de exportação de petróleo mais importante do mundo, conectando os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico.
O fechamento foi desencadeado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no sábado, com o objetivo de derrubar seus líderes, e o presidente dos EUA, Donald Trump, oferecendo ajuda aos iranianos para destituir os clérigos no poder.
Em resposta, o Irã disparou diversas salvas de mísseis contra seus vizinhos do Golfo que abrigam bases militares norte-americanas, caso do Catar, do Kuweit e de Barein. Teerã também disparou mísseis contra os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Omã.
Com o fechamento, Teerã cumpriu anos de ameaças de bloquear a estreita via navegável em retaliação a qualquer ataque à República Islâmica.
Cerca de 20% do consumo diário mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, que tem cerca de 33km de largura em seu ponto mais estreito.
Os mercados petrolíferos têm se concentrado nas tensões entre Teerã e seus antigos inimigos, os EUA e Israel, temendo que um conflito total interrompa o abastecimento e desestabilize a região.
A medida também ocorre depois de o transporte marítimo global já ter sofrido interrupções relacionadas a ataques com drones e mísseis realizados por militantes houthis do Iêmen, aliados do Irã. O grupo tem atacado navios no Mar Vermelho e no Golfo de Aden desde o início da guerra de Gaza em 2023.
(Reportagem de Jaidaa Taha e Menna Alaa El-Din)
((Tradução Redação Brasília))
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