
Por Amanda Stephenson
CALGARY, 24 Fev (Reuters) - O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, estava ciente dos planos da petrolífera South Bow de reviver partes da expansão cancelada do oleoduto Keystone XL para os Estados Unidos quando apresentou a ideia ao presidente norte-americano Donald Trump em outubro, disse uma fonte do governo federal familiarizada com o assunto, na terça-feira.
A South Bow SOBO.TO, empresa canadense por trás do cancelado oleoduto Keystone XL, está considerando reativar parte da tubulação já construída em um projeto de expansão em Alberta, com o objetivo de transportar mais petróleo canadense para os Estados Unidos, segundo a fonte.
Um porta-voz da South Bow disse que a empresa, que assumiu os ativos da Keystone XL da TC Energy TRP.TO (link) após o projeto ter sido cancelado pelo presidente Joe Biden, estava avaliando uma expansão para aproveitar a infraestrutura existente e os corredores autorizados no Canadá, mas não informou se isso incluiria o oleoduto Keystone XL. A proposta de expansão ainda está em um estágio muito preliminar, disse o porta-voz.
Segundo estimativas da Bridger Pipeline, uma potencial parceira da South Bow no lado norte-americano, as exportações de petróleo do Canadá para os EUA poderiam aumentar em cerca de 12,5%. Isso daria a Carney maior poder de negociação nas próximas negociações sobre o acordo comercial Canadá-Estados Unidos-México (CUSMA).
Durante a reunião de Carney na Casa Branca em outubro, ele mencionou a Trump a possibilidade de reativar o oleoduto Keystone XL, que ligaria Alberta aos Estados Unidos, como parte de seus esforços para amenizar as tensões comerciais entre os dois países.
Carney enfrenta pressão das tarifas norte-americanas
Carney, que estava sob crescente pressão no Canadá para lidar com as onerosas tarifas norte-americanas sobre aço, automóveis e outros produtos, perguntou a Trump se ele estaria interessado se o projeto Keystone (link) fosse reativado e tivesse apoio canadense, conforme noticiou a Reuters em outubro.
Naquela época, a South Bow afirmou ter "seguido em frente" em relação ao Keystone, mas apoiava os esforços para aumentar o transporte de petróleo canadense. Carney, no entanto, sabia que a South Bow estava em negociações com potenciais parceiros norte-americanos para reativar parte do antigo oleoduto Keystone XL, disse a fonte à Reuters.
"Ele certamente estava ciente de que haveria algum interesse do setor privado", disse a fonte. A fonte pediu para não ser identificada para poder falar livremente sobre o assunto.
O governo canadense não está envolvido de forma alguma na proposta da South Bow, disse a fonte, mas acrescentou que a energia em geral será uma parte importante das negociações durante a próxima revisão do CUSMA.
Um porta-voz do gabinete de Carney recusou-se a comentar, encaminhando as perguntas ao Departamento de Recursos Naturais do Canadá.
A porta-voz do Departamento de Recursos Naturais, Charlotte Power, em resposta por email a uma consulta da Reuters, disse: "O Canadá é uma superpotência energética e temos o que o mundo quer."
"Enquanto o governo federal se prepara para a revisão do CUSMA, estamos em contato ativo com líderes do setor, províncias e territórios para garantir que nossa posição de negociação reflita os interesses econômicos do Canadá."
A BRIDGER APRESENTA PROPOSTA DE OLEODUTO AOS ÓRGÃOS REGULADORES
A Bridger Pipeline apresentou recentemente uma proposta aos órgãos reguladores de Montana, descrevendo a construção de um potencial oleoduto de 645 milhas (1.038 km) que começaria perto da fronteira entre os EUA e o Canadá, no condado de Phillips, Montana, e seguiria até Guernsey, Wyoming.
Segundo o pedido, grande parte da nova tubulação seria construída em locais adjacentes à infraestrutura de oleodutos existente, pertencente à Bridger e a outras operadoras.
O objetivo do novo oleoduto, segundo informações, seria transportar até 550 mil barris por dia de petróleo bruto canadense para o mercado norte-americano. O Canadá exportou, em média, 4,4 milhões de barris de petróleo por dia para os EUA em 2024.
A Bridger recusou-se a comentar sobre o pedido.
A South Bow recusou-se a comentar sobre um potencial parceiro norte-americano. A fonte afirmou que o governo estava ciente das discussões entre a South Bow e a Bridger sobre o assunto antes de a Bridger apresentar sua solicitação.
A analista da RBN Energy, Liz Dicken, afirmou em uma postagem de blog que a única infraestrutura canadense existente que poderia ser aproveitada para um projeto desse porte é o sistema Keystone XL, parcialmente construído em Alberta, que está ocioso desde o cancelamento do oleoduto em 2015.
Dicken também salientou que Guernsey, no Wyoming, não é um mercado consumidor final de petróleo bruto, pelo que seria necessário construir ligações adicionais a jusante para transportar o petróleo para centros de refinação como Cushing, em Oklahoma, Patoka, em Illinois, e a Costa do Golfo dos EUA.
O Keystone XL era um oleoduto proposto para transporte de petróleo bruto, com aproximadamente 1.900 quilômetros (1.181 milhas) de extensão, que teria transportado 830.000 barris de petróleo por dia das areias betuminosas do norte de Alberta, passando por Dakota do Norte, Dakota do Sul e Nebraska, até o principal centro de armazenamento dos EUA em Cushing, Oklahoma, e depois para as refinarias da Costa do Golfo.
A TC Energy propôs o projeto pela primeira vez em 2008, mas ele rapidamente atraiu significativa oposição ambiental e indígena.
Foi rejeitado pela administração do presidente Barack Obama e depois retomado durante o primeiro mandato de Trump, apenas para ser cancelado novamente por Biden em 2021.
A TC Energy perdeu bilhões com o projeto e criou a South Bow como uma nova empresa para assumir seus negócios de oleodutos. Nenhuma infraestrutura significativa do Keystone XL foi construída nos Estados Unidos antes da paralisação.